Um vídeo que viralizou no WhatsApp, Facebook e Threads afirma que um mega terremoto de magnitude entre 8,9 e 9,8 vai atingir o Brasil no dia 18 de setembro deste ano, às 3h17 da madrugada. A informação é falsa: agências de checagem e cientistas consultados confirmam que não existe tecnologia capaz de prever terremotos com data, hora e magnitude exatas em nenhum lugar do mundo.
O que o vídeo falso afirma e por que ele engana tanto gente
O conteúdo que circula nas redes mostra uma pessoa narrando o suposto alerta enquanto exibe um mapa com detalhes do desastre, que estaria escondido na deep web. Segundo o vídeo, as informações viriam de um "Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas", órgão que, na realidade, não existe no Brasil. A narrativa ainda afirma que o terremoto provocaria um tsunami devastador e deixaria dezenas de milhares de mortos, além de sugerir que existiriam "máquinas de programação digital" capazes de provocar terremotos artificiais dessa magnitude — alegação sem qualquer fundamento científico.
O boato ganhou força após um terremoto real que atingiu a Venezuela, causando mortes e destruição, episódio que passou a ser explorado por publicações alarmistas nas redes sociais brasileiras. Parte da estratégia de disseminação da desinformação envolveu misturar imagens de terremotos reais ocorridos em outros países, como as Filipinas, apresentando-as como se fossem do evento na Venezuela, o que ajudou a dar credibilidade visual ao conteúdo falso compartilhado posteriormente sobre o Brasil.
O que a ciência realmente diz sobre a previsão de terremotos
Segundo especialistas consultados por agências de checagem, mesmo países com os sistemas de monitoramento sísmico mais avançados do mundo, como Japão e Estados Unidos, não possuem tecnologia capaz de prever terremotos com data, hora e magnitude exatas. O que existe, segundo os cientistas, é a capacidade de identificar áreas com maior atividade tectônica e estimar probabilidades de ocorrência ao longo de décadas ou séculos, além de, em alguns casos avançados, emitir alertas de curtíssimo prazo, de poucos segundos, logo no início de um abalo sísmico já em curso.
Um megaterremoto é definido como um abalo sísmico de magnitude igual ou superior a 9 na escala Richter, evento que ocorre tipicamente em zonas de subducção, onde uma placa tectônica desliza sob outra. O Brasil, por estar localizado no interior da placa Sul-Americana, e não em uma zona de subducção, oferece proteção natural contra terremotos de magnitudes tão elevadas. O maior terremoto já documentado no país ocorreu em 1955, no Mato Grosso, com magnitude estimada em 6,2, e o abalo mais recente de maior intensidade, registrado na região Norte em janeiro de 2024, teve magnitude de 6,6, sem registros de danos relevantes.
Para verificar informações confiáveis sobre atividade sísmica no Brasil, especialistas recomendam consultar instituições científicas reconhecidas, como a Rede Sismográfica Brasileira, formada por Observatório Nacional, USP, UFRN e UnB, além do Serviço Geológico do Brasil. Diante da recorrência de boatos desse tipo após grandes desastres naturais ao redor do mundo, a orientação de checadores de fatos é desconfiar de qualquer conteúdo que atribua previsões exatas de terremotos a fontes não identificadas ou a supostos sistemas secretos, já que nenhuma instituição científica séria seria capaz de fornecer esse tipo de previsão com precisão de data e horário.
O episódio também chama atenção pela sofisticação crescente desse tipo de conteúdo, que combina elementos de vídeos gerados ou manipulados digitalmente com uma narrativa estruturada para parecer verossímil, incluindo referências a supostas fontes oficiais e mapas ilustrativos. Diversas agências de checagem de fatos brasileiras já publicaram verificações detalhadas classificando o conteúdo como falso, reforçando que a melhor forma de conter esse tipo de desinformação é buscar sempre a confirmação em fontes científicas estabelecidas antes de compartilhar qualquer alerta alarmista recebido por aplicativos de mensagens ou redes sociais.