Quinta-feira, 13/08/2026
Notícias com clareza, todos os dias
Curiosidades

Por que o Brasil quase nunca tem terremotos, segundo a geologia

A estabilidade do território brasileiro vem de crátons com até 3,4 bilhões de anos e da distância das fronteiras de placas tectônicas. Mas essa blindagem geológica não impediu tragédias como enchentes que já mataram mais gente do que qualquer terremoto ou furacão registrado no país.

Por que o Brasil quase nunca tem terremotos, segundo a geologia

O Brasil é um dos territórios mais estáveis geologicamente do planeta, e a explicação para essa raridade de terremotos vai muito além da distância das fronteiras de placas tectônicas, segundo análise de um vídeo especializado em geologia. O país está localizado no interior da placa Sul-Americana, longe das zonas de subducção onde placas tectônicas colidem e liberam energia sísmica, mas essa posição geográfica é apenas parte da explicação.

A fronteira de placas mais próxima e ativa fica na costa oeste do continente, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa continental, na região do Chile e do Peru, a milhares de quilômetros de distância do território brasileiro. Enquanto o Chile registra em média um terremoto de magnitude sete ou superior a cada três anos, o Serviço Geológico do Brasil estima que um evento dessa magnitude deveria ocorrer, em média, apenas uma vez a cada 500 anos no país.

A verdadeira blindagem geológica brasileira, no entanto, está em estruturas chamadas crátons, pedaços de crosta continental extremamente antigos que perderam a capacidade de se deformar como uma crosta mais jovem. O Brasil possui cinco crátons, com destaque para o cráton Amazônico e o cráton do São Francisco. O cráton do São Francisco começou a se estabilizar há aproximadamente 1,8 bilhão de anos, e em áreas de Minas Gerais e da Bahia existem rochas de até 3,2 e 3,4 bilhões de anos, mais antigas do que a maior parte do oxigênio presente hoje na atmosfera terrestre. Em alguns pontos, a raiz desses crátons ultrapassa 10 quilômetros de profundidade, formando uma estrutura fria e rígida demais para responder à pressão tectônica moderna da mesma forma que uma crosta mais jovem responderia.

O sul do Brasil também guarda vestígios de um dos maiores eventos vulcânicos da história do planeta. Entre 136 e 132 milhões de anos atrás, uma imensa pluma de magma rompeu a crosta terrestre na região, despejando mais de 1 milhão de quilômetros cúbicos de lava basáltica sobre uma área de mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, na época em que o Brasil ainda estava unido à África — rochas gêmeas dessas mesmas erupções aparecem hoje na Namíbia. Diferentemente de vulcões ainda ativos, essa fonte de magma se esgotou ao longo de milhões de anos, deixando como herança apenas as formações rochosas que hoje moldam os planaltos e colinas do Sul e do Sudeste do país, sem qualquer câmara de magma ativa por baixo do território.

A costa brasileira também se beneficia do que geólogos chamam de margem passiva: não existe ali uma zona de subducção capaz de gerar tsunamis, e uma ampla plataforma continental funciona como amortecedor natural contra ondas sísmicas vindas de outras regiões do oceano. Ainda assim, a análise destaca que o Brasil não é completamente imune a esses fenômenos: em março de 2004, o furacão Catarina se formou ao largo da costa catarinense, atingindo categoria 1 na escala Saffir-Simpson, com ventos superiores a 150 km/h, destruindo cerca de 100 casas e matando 11 pessoas. Já em 1755, o terremoto que devastou Lisboa gerou uma onda que atravessou o Atlântico e chegou, já enfraquecida, ao litoral do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, avançando até 4 quilômetros terra adentro, segundo pesquisas citadas na análise.

O vídeo argumenta que essa estabilidade geológica, embora real, criou uma falsa sensação de segurança total no país, que historicamente sentiu menos urgência para investir em infraestrutura de prevenção a desastres naturais mais silenciosos, como enchentes e deslizamentos de terra. Como comparação, somando o único furacão e o único terremoto fatal já registrados na história do Brasil, o total de mortes fica pouco acima de uma dezena. Já as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas em 478 municípios e mataram pelo menos 183, sendo classificadas como o maior desastre climático já registrado no estado — um número muito superior ao de vítimas de terremotos ou furacões em toda a história documentada do país.

Fonte: Canal de geologia e curiosidades científicas
Perguntas frequentes
Por que o Brasil quase não tem terremotos?

Porque está localizado no interior da placa Sul-Americana, longe das zonas de subducção onde placas tectônicas colidem, e sobre estruturas chamadas crátons — pedaços de crosta continental com até 3,4 bilhões de anos, frios e rígidos demais para se deformar como uma crosta mais jovem.

O Brasil já teve algum furacão ou tsunami?

Sim. Em março de 2004, o furacão Catarina atingiu o litoral catarinense e matou 11 pessoas. Em 1755, uma onda gerada pelo terremoto de Lisboa atravessou o Atlântico e chegou enfraquecida ao litoral do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.

O que são os crátons que protegem o Brasil de terremotos?

São pedaços de crosta continental extremamente antigos e processados por bilhões de anos de calor e pressão, que perderam a capacidade de se deformar. O Brasil tem cinco crátons, com destaque para o cráton Amazônico e o cráton do São Francisco, cujas raízes ultrapassam 10 quilômetros de profundidade em alguns pontos.

A estabilidade geológica torna o Brasil imune a desastres naturais?

Não. Segundo a análise, essa blindagem é específica contra terremotos, vulcões e tsunamis, mas criou uma falsa sensação de segurança que contribuiu para menor investimento em prevenção a enchentes e deslizamentos, que já mataram muito mais brasileiros — como as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, com pelo menos 183 mortos.