A B3 passou a disponibilizar, a partir desta segunda-feira, 164 novos ativos para negociação no Mercado a Termo, ampliação que inclui 99 fundos imobiliários (FIIs) e 65 BDRs não patrocinados. Até então, apenas 20 FIIs e 14 BDRs desse tipo estavam disponíveis nessa modalidade de negociação, o que representa um salto expressivo na oferta de instrumentos disponíveis para os investidores.
Como funciona o Mercado a Termo e o que muda com a ampliação
No Mercado a Termo, comprador e vendedor combinam previamente o preço de um determinado ativo para que a liquidação financeira da operação aconteça em uma data futura já definida no momento da negociação. Essa característica difere do mercado à vista tradicional, em que a liquidação ocorre normalmente dois dias após a negociação ser realizada. Segundo a B3, essas condições permitem que investidores adotem diferentes estratégias, tanto para proteção de carteira, mecanismo conhecido como hedge, quanto para busca de lucro, inclusive combinando posições no mercado a termo com operações no mercado à vista ou com contratos futuros e opções.
Entre os novos ativos disponibilizados para negociação a termo estão BDRs de empresas globais de peso, como Berkshire Hathaway, Coca-Cola, Disney, Oracle, Palantir, TSMC e Visa, além de fundos imobiliários conhecidos do mercado brasileiro, como BRCO11, GGRC11 e KNSC11. A ampliação abre a possibilidade de investidores utilizarem estratégias mais sofisticadas de gestão de risco e financiamento também para esses ativos específicos, recurso que antes estava disponível apenas para uma lista bem mais restrita de opções.
O tamanho do mercado a termo na B3 e o que esperar daqui para frente
Segundo dados divulgados pela própria bolsa, o Mercado a Termo já movimentou mais de R$ 12 bilhões em volume acumulado ao longo de 2026, com ticket médio de R$ 189 mil por operação. Em todo o ano de 2025, o volume total transacionado nessa modalidade havia somado R$ 22,9 bilhões, o que dá uma dimensão do tamanho e da relevância crescente desse mercado dentro do ecossistema de negociação da B3.
Segundo a bolsa, investidores institucionais são responsáveis por cerca de 73% dos negócios realizados no Mercado a Termo atualmente, enquanto investidores pessoa física respondem por aproximadamente 17% do volume total negociado nessa modalidade. Para o gerente de produtos de Equities da B3, a ferramenta amplia as possibilidades de planejamento do investidor, podendo ser utilizada tanto para uma visão direcional sobre determinado ativo quanto como parte de estratégias mais sofisticadas de proteção, financiamento ou gestão de caixa.
A expansão do Mercado a Termo para incluir mais FIIs e BDRs não patrocinados também reflete um movimento mais amplo da B3 de ampliar as opções de instrumentos derivativos e estruturados disponíveis para diferentes perfis de investidor, tendência que vem acompanhando o crescimento constante do número de fundos imobiliários e recibos de ações estrangeiras negociados no mercado brasileiro ao longo dos últimos anos.
Para investidores interessados em utilizar essa modalidade de negociação, a bolsa disponibiliza em seu site as listas completas de ativos elegíveis para negociação a termo, tanto na página específica de Termo de BDRs quanto na página de Termo de Fundos de Investimento Imobiliário, permitindo consulta detalhada antes de qualquer operação envolvendo os novos ativos agora disponíveis nessa modalidade específica de negociação na B3.
A ampliação também deve favorecer gestoras de fundos e investidores institucionais que já utilizavam o Mercado a Termo em outras classes de ativos, mas que até então não tinham acesso à mesma flexibilidade operacional quando se tratava especificamente de FIIs ou BDRs não patrocinados. Com mais opções disponíveis, a expectativa da bolsa é que o volume total negociado nessa modalidade continue crescendo nos próximos meses, acompanhando a tendência observada desde o início de 2026, quando o mercado a termo já superou a marca de R$ 12 bilhões em operações acumuladas.