Sexta-feira, 02/10/2026
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Juro alto derruba Renner e dispara inadimplência no Banco do Brasil

As ações da Renner caíram 13% após resultado trimestral, enquanto a inadimplência em cartões do Banco do Brasil também disparou — dois sinais do efeito dos juros altos sobre varejo e crédito.

Juro alto derruba Renner e dispara inadimplência no Banco do Brasil

O nível elevado dos juros no Brasil já aparece com clareza nos resultados de grandes empresas do varejo e no comportamento do crédito ao consumidor. Na semana passada, as ações da Lojas Renner caíram 13% em um único dia depois da divulgação de resultado trimestral, e a companhia revisou para baixo suas projeções de vendas para 2026. No Banco do Brasil, a inadimplência em cartões de crédito também disparou, levantando dúvidas sobre se o episódio é um caso isolado ou reflexo de um problema mais amplo no sistema financeiro.

Juntos, os dois casos reforçam uma leitura que já vinha sendo discutida por analistas de mercado: o custo do crédito no Brasil atingiu um patamar que está pesando diretamente sobre empresas e consumidores, independentemente do setor.

Por que negócios de varejo sentem mais o juro alto

Empresas que dependem de vendas a prazo e financiamento ao consumidor — caso típico do varejo — sentem o efeito dos juros altos de forma mais direta do que outros setores da economia. Com taxas elevadas, o crediário fica mais caro tanto para quem vende quanto para quem compra, reduzindo o volume de vendas financiadas e pressionando as margens das companhias.

O caso da Renner segue o mesmo padrão observado recentemente nas Casas Bahia, que registrou prejuízo bilionário e fechamento de quase 300 lojas no mesmo período — outro sintoma da mesma pressão estrutural sobre o varejo brasileiro, tratado com mais detalhes em [outra reportagem sobre o resultado da rede](/economia/casas-bahia-tem-prejuizo-de-r-10-bilhoes-e-fecha-quase-300-lojas/).

O que a inadimplência no Banco do Brasil sinaliza

A explosão da inadimplência em cartões de crédito no Banco do Brasil chama atenção por se tratar do maior banco do país, com controle do governo federal. Ainda não está claro se o episódio reflete um problema específico de gestão de risco da instituição ou se antecipa uma tendência que deve aparecer em outros bancos nos próximos resultados trimestrais — mas o episódio já é tratado por analistas como um sinal de alerta sobre a saúde financeira do consumidor brasileiro neste momento.

Para parte do mercado, o diagnóstico de fundo vai além da atuação do Banco Central: o problema é também estrutural, ligado ao desequilíbrio fiscal do governo, que tende a manter os juros em patamar elevado por mais tempo do que seria necessário em um cenário de contas públicas mais equilibradas. Essa é justamente a lógica por trás de propostas recentes de ajuste fiscal, como a que detalhamos em [outra matéria sobre a PEC da responsabilidade fiscal apresentada por parlamentares e pelo Instituto Livre Mercado](/economia/grupo-propoe-pec-da-responsabilidade-fiscal-com-corte-de-salario-de-politicos/).

Enquanto o quadro fiscal não muda de forma mais estrutural, a avaliação predominante entre analistas é a de que o custo do crédito no Brasil deve continuar elevado, mantendo a pressão sobre setores mais dependentes de financiamento — com efeitos que já aparecem tanto nos resultados de grandes varejistas quanto no comportamento de inadimplência dentro do próprio sistema bancário.

Historicamente, o contrário também costuma ser verdadeiro: quando os juros estão artificialmente baixos, a barra para abrir e manter um negócio fica mais baixa, o que tende a facilitar a criação de empresas e ampliar a oferta de crédito ao consumidor. O cenário atual é o oposto — juros elevados por um período prolongado, somados a um desequilíbrio fiscal ainda não resolvido —, o que ajuda a explicar por que o efeito sobre companhias como Renner e Casas Bahia, e sobre a inadimplência em bancos como o Banco do Brasil, tem aparecido de forma tão simultânea nas últimas semanas.

Para consumidores endividados, a recomendação mais comum entre especialistas em finanças pessoais é evitar novas dívidas em cartão de crédito rotativo — uma das modalidades mais caras do mercado — e priorizar a renegociação de dívidas existentes antes que a inadimplência se acumule ainda mais.

Fonte: YouTube
Perguntas frequentes
Por que as ações da Renner caíram 13%?

A queda ocorreu no dia da divulgação do resultado trimestral, quando a empresa também revisou para baixo suas projeções de vendas para 2026.

A inadimplência do Banco do Brasil é um problema isolado?

Ainda não está claro. Pode refletir um problema específico de gestão de risco do banco ou antecipar uma tendência que apareça em outras instituições nos próximos resultados.

Qual a relação entre juros altos e resultados ruins no varejo?

Negócios que dependem de vendas a prazo e financiamento sentem mais o efeito de juros altos, já que o crediário fica mais caro tanto para a empresa quanto para o consumidor.