Quinta-feira, 01/10/2026
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Economia

Mais da metade das horas trabalhadas no Brasil podem ser automatizadas; veja quais profissões estão na mira da IA

Estudo mostra que 56% das horas de trabalho no país podem ser automatizadas. Profissões repetitivas como telemarketing e caixa são as mais expostas; preparo e educação são o caminho.

Mais da metade das horas trabalhadas no Brasil podem ser automatizadas; veja quais profissões estão na mira da IA

Um levantamento do McKinsey Global Institute mostra que 56% das horas trabalhadas no Brasil já poderiam ser automatizadas com a tecnologia disponível atualmente. O número coloca o país em um patamar semelhante ao Chile, acima da Colômbia, mas ainda abaixo de Argentina e México. O potencial econômico desse avanço é expressivo: até 2030, a automação pode destravar mais de US$ 135 bilhões na economia brasileira, segundo a mesma pesquisa.

Enquanto países como Coreia do Sul, Singapura, Alemanha e Japão lideram a corrida global por eficiência — com a Coreia do Sul chegando a 1.220 robôs para cada 10 mil trabalhadores — o Brasil ainda concentra o debate trabalhista em temas como o fim da escala 6x1 e o custo da contratação pela CLT. A conta, porém, pode não fechar a favor do trabalhador: encarecer a hora trabalhada sem um aumento correspondente de produtividade tende a acelerar a substituição de pessoas por máquinas.

Quais ocupações estão mais ameaçadas?

As atividades mais expostas à automação são as repetitivas e previsíveis. Operadores de caixa, profissionais de telemarketing, conferentes de estoque, rotinas administrativas e serviços de atendimento ao cliente estão no topo da lista de risco. São funções que seguem roteiros fixos, com pouca margem para criatividade ou adaptação — exatamente o terreno onde a inteligência artificial e a robótica avançam mais rápido.

"Quando você tem uma tecnologia disruptiva, que está ficando a cada dia mais barata e mais capaz, uma preocupação que eu tenho é que, nesse cenário, algumas ocupações tenham uma troca acelerada devido à relação entre custo e benefício", afirmou um dos especialistas ouvidos pela reportagem. A lógica é simples: se uma máquina faz o mesmo trabalho mais rápido, por menos custo e sem necessidade de descanso, a substituição vira apenas uma questão de tempo e de retorno sobre o investimento.

O caso da Amazon nos Estados Unidos é emblemático. Documentos internos da gigante do varejo, revelados pelo jornal The New York Times, apontam para a meta de automatizar até 75% das operações da empresa. Em galpões na Louisiana, cerca de mil robôs já reduziram pela metade a necessidade de novas contratações. No Brasil, segundo um representante da companhia, esse modelo ainda não foi implementado. A empresa afirma que, por aqui, o foco tem sido a implementação de tecnologias que facilitam o trabalho humano e tornam as tarefas menos braçais e mais seguras — não necessariamente a substituição em larga escala.

Dois caminhos para o futuro do trabalho

Até 2030, a automação pode representar a segunda maior oportunidade da América Latina, atrás apenas do México. A pesquisa projeta que 78% das habilidades demandadas no país continuarão dependendo de trabalho humano — mas dois grupos profissionais devem ganhar espaço.

O primeiro é o dos responsáveis por construir, operar e manter as máquinas: técnicos de manutenção, analistas de dados, engenheiros de automação, especialistas em inteligência artificial e profissionais de tecnologia da informação. O segundo grupo é o da chamada economia do cuidado: profissionais de saúde, professores, cuidadores e outras funções que dependem de interação humana, empatia e tomada de decisão em contextos imprevisíveis — qualidades que as máquinas ainda não conseguem replicar.

O problema, segundo os especialistas, começa pela educação. O Brasil universalizou o ensino básico apenas na década de 1990 — muito tarde na comparação com países como Coreia do Sul e Estados Unidos — e mesmo assim o que se chama de universalização não significa que todos saibam ler e interpretar textos com proficiência ou fazer operações matemáticas básicas. "A gente conseguiu universalizar a educação, mas isso não significa que as pessoas saibam interpretar um texto ou fazer uma conta simples", alertou um dos entrevistados.

Preparo é a única saída

Na comparação com Estados Unidos e China, o Brasil parte de um estágio diferente de maturidade tecnológica. As empresas brasileiras, porém, já colhem resultados com a adoção de novas tecnologias, e startups também surgem para atender às novas demandas do mercado. O debate regulatório, tanto sobre a escala 6x1 quanto sobre inteligência artificial, é necessário para adaptar as leis às transformações tecnológicas que já estão em curso.

A corrida global pela eficiência, no entanto, não vai esperar o país resolver seus gargalos estruturais. A questão, portanto, não é se a automação chegará ao Brasil, mas se o trabalhador brasileiro estará preparado para acompanhar essa transformação — e o relógio já está correndo.

Fonte: CNN Brasil
Perguntas frequentes
Quais profissões têm maior risco de serem automatizadas?

As mais expostas são operações repetitivas e previsíveis: caixa, telemarketing, conferência de estoque, rotinas administrativas e atendimento ao cliente.

O que fazer para não ser substituído pela IA?

Os especialistas apontam duas direções: migrar para profissões técnicas ligadas à manutenção de máquinas (TI, dados, automação) ou para a economia do cuidado (saúde, educação, atendimento humano).

O Brasil está preparado para essa transformação?

O país parte de um estágio de maturidade tecnológica diferente de EUA e China, e a educação ainda é um gargalo. A corrida global, porém, não espera.

A automação vai destruir empregos ou criar outros?

O estudo projeta que 78% das habilidades demandadas continuarão humanas, mas os postos de trabalho vão mudar — algumas ocupações vão sumir e outras vão surgir. O desafio é a transição.