A Petrobras confirmou nesta sexta-feira a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, perfurado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. Em nota oficial, a estatal não detalhou se a descoberta se trata de petróleo, gás natural ou uma combinação dos dois, informação que ainda depende de avaliações posteriores.
Segundo a companhia, o poço está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros, considerada ultraprofunda. Trata-se da primeira perfuração exploratória realizada pela Petrobras especificamente para investigar a existência de petróleo ou gás nessa área da chamada Margem Equatorial brasileira, faixa marítima que se estende ao largo dos estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
Como a descoberta foi confirmada
A presença de hidrocarbonetos foi constatada por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha, tecnologia usada para identificar sinais da presença de óleo ou gás antes da confirmação definitiva por meio de testes adicionais. Segundo a Petrobras, as operações de perfuração no poço Morpho permanecem em curso, com o objetivo de dar continuidade à avaliação exploratória "de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas".
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comentou o anúncio afirmando que o otimismo da empresa em relação à Margem Equatorial brasileira "se confirma hoje". Segundo ela, a descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da companhia, que estaria comprometida com a recomposição das reservas de petróleo do país e com a segurança energética nacional.
A Petrobras é operadora do bloco FZA-M-59 e detém 100% de participação na área, adquirida na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. A embarcação usada na perfuração da região é o navio-sonda NS-42, também conhecido como ODN-II.
O que a descoberta representa para a Margem Equatorial
A Margem Equatorial brasileira é tratada pelo setor como uma nova fronteira exploratória do país, com potencial ainda pouco conhecido, mas que desperta interesse crescente por apresentar características geológicas semelhantes às de descobertas relevantes registradas na costa da Guiana e do Suriname nos últimos anos, países vizinhos que passaram a atrair grandes investimentos internacionais no setor de petróleo após achados na mesma formação geológica compartilhada com o litoral brasileiro.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) classificou a descoberta como extremamente importante, afirmando que ela confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões do país, além das já exploradas na Bacia de Santos e na Bacia de Campos. Segundo a entidade, a relevância do anúncio está não apenas na identificação da presença de petróleo, mas também na possibilidade concreta de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do território brasileiro.
Ainda não há prazo definido para que a Petrobras confirme o volume total de hidrocarbonetos encontrado no poço Morpho, nem para uma eventual declaração de comercialidade, etapa que antecede o início da produção em escala. O processo de avaliação de uma descoberta exploratória costuma levar anos, dependendo de testes adicionais, estudos de viabilidade econômica e licenciamento ambiental, como ocorreu em outras áreas da Margem Equatorial já discutidas anteriormente pela empresa e pelos órgãos reguladores brasileiros.
A notícia repercutiu rapidamente entre veículos especializados em economia e energia, reacendendo o debate sobre o potencial da região amazônica offshore como possível nova geração de riqueza para o país, quase duas décadas depois do anúncio da descoberta do pré-sal, em 2006, que transformou a matriz energética e a posição internacional do Brasil no mercado global de petróleo.