A região Sul do Brasil concentra uma série de recordes geográficos pouco conhecidos, que vão de fenômenos meteorológicos extremos a fósseis dos dinossauros mais antigos do planeta, segundo levantamento reunido em vídeo do canal especializado em curiosidades geográficas. Entre os 50 fatos apresentados, alguns se destacam pela escala surpreendente das formações naturais encontradas no território gaúcho, catarinense e paranaense.
O Rio Grande do Sul abriga a maior praia contínua do mundo, reconhecida pelo Guinness World Records em 1994: a Praia do Cassino, com 254 quilômetros de faixa de areia ininterrupta entre a cidade de Rio Grande e a fronteira com o Uruguai, em Chuí. A extensão é visível em imagens de satélite e supera trajetos entre cidades inteiras ou até entre países europeus. Próximo dali, cerca de 21 quilômetros do balneário, repousam os restos do navio cargueiro Altair, naufragado em 1976, hoje um ponto turístico que deve desaparecer completamente sob a areia nas próximas duas décadas.
A região também detém um dos maiores registros de descarga elétrica já medidos no planeta: em outubro de 2018, um raio percorreu 709 quilômetros pelo céu do Rio Grande do Sul, começando no norte da Argentina e terminando sobre o Oceano Atlântico, distância equivalente à ligação entre Porto Alegre e Curitiba. O fenômeno foi oficializado pela Organização Mundial de Meteorologia em 2020. Além disso, o Sul do Brasil integra, junto ao norte da Argentina, Uruguai e sul do Paraguai, o chamado corredor de tornados sul-americano, classificado como a segunda maior zona de atividade de tornados do mundo, atrás apenas das planícies centrais dos Estados Unidos — resultado do encontro entre o ar quente e úmido vindo da Amazônia com massas de ar polar provenientes da Patagônia.
Do ponto de vista geológico, a região guarda vestígios de pelo menos duas crateras de impacto de meteorito bem preservadas: o Domo de Vargeão, em Santa Catarina, com 12 quilômetros de diâmetro formado há cerca de 80 milhões de anos, e a cratera de Vista Alegre, no Paraná, com quase 10 quilômetros de diâmetro e mais de 130 milhões de anos. No extremo oeste gaúcho, geólogos identificaram ainda um semicírculo de morros que corresponderia aos vestígios de uma cratera ainda maior, na fronteira com o Uruguai.
O Rio Grande do Sul também é reconhecido pelo Guinness World Records como o local com os fósseis de dinossauros mais antigos do planeta, encontrados na formação geológica Santa Maria, datada de cerca de 233 milhões de anos, no período Triássico. Entre as descobertas está o Saturnalia tupiniquim, dinossauro primitivo de cerca de 4,5 metros encontrado na zona urbana da cidade de Santa Maria.
Um dos episódios mais lamentados da história ambiental do país também tem origem na região: o Salto das Sete Quedas, no Rio Paraná, considerado o maior espetáculo natural em volume de água doce do mundo, com vazão duas vezes maior que a das Cataratas do Niágara, foi submerso pela formação do reservatório da Usina de Itaipu entre outubro de 1982, em apenas 14 dias, após a assinatura da Ata do Iguaçu em 1966.
A área também concentra outras estruturas hídricas expressivas, como a Lagoa dos Patos, maior laguna costeira da América do Sul, com mais de 265 quilômetros de comprimento e área superior à de países como Chipre ou Luxemburgo, e a Lagoa Mirim, considerada tecnicamente o maior lago de água doce verdadeiro do Brasil, dividida entre Brasil e Uruguai desde o Tratado da Lagoa Mirim, assinado em 1909 sob negociação do Barão do Rio Branco. A lista completa de curiosidades encerra no Arroio Chuí, no extremo sul do Rio Grande do Sul, reconhecido pelo IBGE como o ponto mais meridional do território brasileiro.