Quinta-feira, 13/08/2026
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China corta importação de petróleo pela metade e evita disparada do barril

O fechamento do Estreito de Ormuz retirou 20 milhões de barris diários do mercado global, mas a redução histórica das importações chinesas ajudou a conter uma crise energética generalizada. O corte, porém, deixou 4 milhões de barris sem explicação declarada.

China corta importação de petróleo pela metade e evita disparada do barril

Uma reviravolta pouco explicada no mercado global de petróleo evitou que o fechamento do Estreito de Ormuz, provocado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, disparasse o preço do barril para patamares acima de 150 ou 200 dólares. Segundo análise do canal de geopolítica Professor HOC, a China foi um dos principais fatores por trás dessa contenção, ao reduzir pela metade suas importações de petróleo em um movimento sem precedentes desde os anos 1980.

O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, o equivalente a 20 milhões de barris diários dentro de um mercado global de 100 milhões de barris produzidos e consumidos por dia. Com o fechamento efetivo do estreito pelo Irã, o mercado perdeu de uma só vez essa fatia da oferta, um cenário que historicamente levaria a uma disparada abrupta de preços e a uma crise energética de grandes proporções.

A primeira linha de defesa veio de oleodutos alternativos operados pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes, capazes de escoar cerca de 7 milhões de barris por dia sem depender do estreito. Ainda assim, restava um déficit de 13 milhões de barris. A segunda camada de proteção veio das reservas estratégicas nacionais: 32 países, segundo o levantamento citado no vídeo, acionaram simultaneamente seus estoques, injetando no mercado mais 2,5 milhões de barris diários e reduzindo o déficit para cerca de 11 milhões.

Foi nesse contexto que a redução da demanda chinesa se tornou decisiva. A China, segundo a análise, deixou de importar cerca de 5,5 milhões de barris por dia, aproximadamente metade do volume que costumava comprar do mercado internacional. Esse corte represou boa parte do déficit remanescente, evitando que o desequilíbrio entre oferta e demanda ultrapassasse a faixa dos 5%, patamar considerado insuficiente para provocar uma explosão generalizada nos preços.

O canal detalha como a China teria conseguido reduzir esse consumo sem entrar em recessão ou desacelerar sua economia interna. Parte da explicação estaria na proibição, adotada logo no início do conflito, de exportar gasolina e diesel refinados a outros países, o que teria poupado cerca de meio milhão de barris por dia. Outra parte viria da ativação de novas usinas a carvão e da ampliação da capacidade de unidades já existentes, substituindo parte do consumo de petróleo na geração de energia, na produção de plástico e de fertilizantes — economia estimada em mais meio milhão de barris diários.

O terceiro fator citado é o cancelamento de voos domésticos na China, com parte dos deslocamentos migrando para os trens, movidos por outras fontes de energia, além do maior uso de veículos elétricos já disponíveis no país diante da alta do preço da gasolina. Somados, esses três movimentos explicariam cerca de 1,5 milhão de barris da redução total, deixando ainda 4 milhões de barris sem explicação aparente no consumo declarado.

É nesse ponto que entra a questão das reservas estratégicas chinesas. Diferentemente dos Estados Unidos, cujo estoque de pouco mais de 700 milhões de barris é público e monitorável por satélite em cavernas de sal na Louisiana e no Texas, a China nunca divulgou oficialmente o tamanho de suas reservas. Estimativas baseadas em imagens de satélite dos silos visíveis apontam para cerca de 1,4 bilhão de barris — o dobro do volume americano conhecido. Segundo a análise, esses estoques monitoráveis permaneceram praticamente intactos durante a crise, o que sugere a existência de reservas adicionais, possivelmente subterrâneas, ainda maiores e não reveladas publicamente.

O vídeo aponta ainda que parte do petróleo usado pela China para reabastecer esses estoques ocultos ao longo dos últimos anos teria vindo de compras de Rússia e Irã, países sob sanções internacionais, realizadas fora do sistema de petrodólares, em transações liquidadas na moeda chinesa e com descontos em relação ao preço internacional.

Passados cerca de seis meses de conflito, a China ainda não retomou suas compras habituais no mercado internacional, o que levanta dúvidas sobre por quanto tempo esse ritmo de consumo das reservas pode ser sustentado antes que o país precise voltar a comprar — um movimento que, segundo a análise, tende a pressionar novamente o preço do petróleo para cima.

Fonte: Professor HOC
Perguntas frequentes
Por que o fechamento do Estreito de Ormuz ameaçava disparar o preço do petróleo?

Porque cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por ali, e a interrupção retirou de uma vez 20 milhões de barris diários de um mercado de 100 milhões de barris.

Como o mundo compensou a perda de petróleo do Estreito de Ormuz?

Por meio de oleodutos alternativos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes, do uso simultâneo de reservas estratégicas por 32 países e, principalmente, pela redução das importações chinesas.

Quanto a China deixou de importar de petróleo?

Cerca de 5,5 milhões de barris por dia, aproximadamente metade do volume que costumava comprar do mercado internacional.

O que explica a redução do consumo chinês de petróleo?

Parte é explicada pela proibição de exportar combustíveis refinados, pelo aumento do uso de carvão e pela redução de voos domésticos, mas cerca de 4 milhões de barris por dia seguem sem explicação declarada pelo governo chinês.