As reservas estratégicas de petróleo da China podem ser o dobro do estoque conhecido dos Estados Unidos, segundo estimativas discutidas pelo canal de geopolítica Professor HOC a partir do comportamento do país durante a crise provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O tamanho real desses estoques, no entanto, segue sendo um dos dados mais bem guardados pelo governo chinês.
Enquanto a reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos é pública, avaliada em pouco mais de 700 milhões de barris e armazenada de forma transparente em cavernas de sal na Louisiana e no Texas, a China nunca divulgou oficialmente o volume de seus estoques. As estimativas disponíveis vêm de observação indireta: os silos chineses conhecidos possuem tampas que sobem ou descem de acordo com o nível de petróleo armazenado, permitindo que empresas privadas de monitoramento e serviços de inteligência calculem, por meio de imagens de satélite e da sombra projetada por essas tampas, o percentual de preenchimento de cada tanque.
A partir desse método, a estimativa consolidada aponta para cerca de 1,4 bilhão de barris nos silos visíveis chineses — o dobro do volume declarado pelos Estados Unidos. A crise atual, contudo, sugere que esse número pode ser apenas uma fração do estoque real do país. Segundo a análise, a China reduziu suas importações de petróleo em cerca de 5,5 milhões de barris por dia desde o início do conflito, e apenas 1,5 milhão desse total é explicado por medidas diretas, como a proibição de exportar combustíveis refinados, o aumento do uso de carvão e a redução de voos domésticos. Isso deixaria uma lacuna de cerca de 4 milhões de barris diários sem explicação no consumo declarado.
O ponto citado como mais revelador é que os estoques chineses monitoráveis por satélite permaneceram praticamente intactos ao longo da crise, o que indica que o petróleo usado para suprir essa lacuna estaria saindo de reservas adicionais, possivelmente armazenadas em instalações subterrâneas não identificadas publicamente — de forma similar ao modelo americano em cavernas de sal, mas sem qualquer divulgação oficial por parte de Pequim.
A análise também levanta a hipótese de que parte dessas reservas ocultas tenha sido constituída ao longo dos últimos anos com petróleo comprado da Rússia e do Irã, países sob sanções internacionais. Segundo o vídeo, a China consegue adquirir esse petróleo fora do sistema tradicional de petrodólares, usando sua própria moeda em transações que driblam o monitoramento ligado ao dólar, muitas vezes com desconto em relação ao preço internacional — uma prática associada à chamada frota clandestina de petroleiros, ou "shadow fleet".
Caso a estimativa de 1,4 bilhão de barris nos estoques visíveis esteja correta, e considerando o ritmo histórico de acúmulo de cerca de 1 milhão de barris por dia, teria levado entre três anos e meio e quatro anos para a China formar essa reserva. Gastando cerca de 4 milhões de barris diários das reservas não identificadas desde o início da crise, e já no sexto mês de conflito sem sinais de reabastecimento, a análise projeta que o tamanho real do estoque secreto chinês pode ser significativamente maior do que qualquer estimativa pública até agora.
O episódio reposiciona a China no tabuleiro do mercado global de energia. Historicamente, o setor era dominado por três grandes forças — Estados Unidos, como maior produtor e consumidor, Arábia Saudita, como maior produtor com capacidade de resposta rápida, e Rússia. A capacidade demonstrada pela China de retirar do mercado, de um dia para o outro, mais de 5 milhões de barris sem provocar uma crise interna evidente, sustentada por reservas de tamanho desconhecido, é apontada como um novo fator de influência direta sobre o preço internacional do petróleo, com implicações que vão além da atual crise no Oriente Médio.