Quinta-feira, 13/08/2026
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Economia

Inflação desacelera em julho, mas custo de vida não volta a cair, mostra análise

IPCA de julho ficou em 0,07%, quase estabilidade, mas o nível geral de preços segue em alta acumulada de 4,44% em 12 meses. Análise argumenta que a sensação de carestia reflete perda contínua do poder de compra da moeda, não apenas a variação mensal dos índices.

Inflação desacelera em julho, mas custo de vida não volta a cair, mostra análise

A inflação oficial brasileira desacelerou em julho, mas o custo de vida segue em patamar elevado e não deve retornar ao nível anterior, segundo análise de um vídeo que reage a comentários da jornalista Miriam Leitão sobre os dados do mês. O vídeo argumenta que a confusão generalizada em torno do tema decorre de uma distinção pouco compreendida entre o ritmo de variação dos preços e o nível absoluto desses preços.

Segundo os dados do IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, índice oficial de inflação do país, a variação mensal de preços em julho ficou em 0,07%, praticamente estabilidade. O item alimentação e bebidas registrou até deflação no mês, com queda de 0,67% em relação ao mês anterior. Já a leitura acumulada em 12 meses, apesar da desaceleração recente, ficou em 4,44%, próxima do teto da banda de tolerância da meta de inflação do Banco Central, fixada em 3% ao ano com margem de tolerância até 4,5%.

O ponto central da análise é que essa taxa de variação mede apenas a velocidade com que os preços sobem, e não o nível em que eles se encontram. Quando o ritmo de aumento cai, isso não significa queda de preços, mas sim que os preços continuam subindo, só que mais devagar. Para ilustrar esse nível absoluto, o vídeo apresenta a evolução do IPCA desde o início do Plano Real, em julho de 1994, quando o índice partiu de uma base 100 e hoje está próximo de 893 pontos, o equivalente a um aumento de praticamente nove vezes nos preços ao longo de mais de três décadas.

Olhando para um período mais recente, desde dezembro de 2019, já no início da pandemia, o IPCA cheio acumulou alta de 44%, enquanto o item alimentação e bebidas subiu 60% no mesmo intervalo, mesmo considerando a leve queda observada nos últimos dois meses analisados.

A partir desses números, a análise defende que o verdadeiro fenômeno por trás da sensação de carestia não é apenas o aumento de preços isoladamente, mas a perda de poder de compra da moeda. Usando um cálculo de poder aquisitivo do real desde a criação da moeda, em 1994, o vídeo aponta que R$ 100 daquele período equivaleriam hoje a apenas R$ 11,19 em capacidade de compra, uma perda acumulada de quase 90%.

Sobre o argumento de que reajustes salariais compensariam essa perda, a análise pondera que o salário mínimo teve alta de cerca de 60% desde o início da pandemia, patamar próximo ao aumento acumulado dos preços de alimentos no período. Porém, o vídeo destaca duas limitações desse mecanismo: os reajustes ocorrem apenas uma vez por ano, gerando defasagem em relação à perda constante de poder de compra ao longo dos meses, e nem todos os trabalhadores têm sua renda atrelada ao salário mínimo, caso de autônomos e empreendedores, que não contam com nenhum mecanismo automático de reposição salarial.

A conclusão apresentada é que a perda de poder de compra gerada pela inflação tem efeitos redistributivos permanentes, que não são revertidos por reajustes pontuais de salário. Segundo a análise, o custo de vida não deve retornar a patamares anteriores nos próximos meses ou anos, já que a própria meta de inflação do Banco Central pressupõe uma depreciação contínua da moeda, hoje em torno de 3% ao ano como objetivo institucional, embora a taxa atual esteja acima dessa meta.

O vídeo argumenta, por fim, que quedas pontuais em produtos específicos, como tomate ou cenoura, não representam o nível geral de preços da economia, podendo ser explicadas por fatores isolados de oferta e demanda, como quebras de safra ou condições climáticas. O problema estrutural, segundo a análise, está no comportamento do nível geral de preços ao longo do tempo, e não em oscilações pontuais de itens específicos da cesta de consumo das famílias brasileiras.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=OGl6VcYVu9I
Perguntas frequentes
A inflação caiu em julho no Brasil?

O ritmo de variação mensal dos preços, medido pelo IPCA, caiu para 0,07% em julho, mas isso significa que os preços continuam subindo, só que mais devagar — não representa queda no nível geral de preços.

Por que o custo de vida continua alto mesmo com a inflação em desaceleração?

Porque a taxa de inflação mede apenas a velocidade de variação dos preços, não o nível em que eles estão. O nível geral de preços segue historicamente em alta constante e não retorna a patamares anteriores.

Quanto o real perdeu de poder de compra desde 1994?

Segundo o cálculo apresentado, R$ 100 de julho de 1994 equivaleriam hoje a apenas R$ 11,19 em capacidade de compra, uma perda acumulada de quase 90%.

O reajuste do salário mínimo compensa a perda de poder de compra?

Parcialmente. O reajuste ocorre apenas uma vez por ano, gerando defasagem, e não beneficia trabalhadores cuja renda não está atrelada ao salário mínimo, como autônomos e empreendedores.