Quinta-feira, 01/10/2026
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Botafogo: da dívida com Almada ao risco de novo transfer ban por Luiz Henrique

O clube pagou US$ 21 milhões ao Atlanta United para encerrar uma punição e, semanas depois, voltou a ser cobrado pelo Real Betis.

Botafogo: da dívida com Almada ao risco de novo transfer ban por Luiz Henrique

O Botafogo se tornou outro exemplo recorrente de transfer ban no futebol brasileiro recente. Em um intervalo de poucos meses, o clube carioca enfrentou uma punição da Fifa por dívida na contratação de Thiago Almada e, logo depois de resolver o caso, voltou a correr risco de nova sanção por conta de uma pendência envolvendo o atacante Luiz Henrique.

A dívida com o Atlanta United por Thiago Almada

Em dezembro de 2025, a Fifa aplicou um transfer ban ao Botafogo pelo não pagamento da compra do meia argentino Thiago Almada, negociado junto ao Atlanta United, dos Estados Unidos. A punição impediu o clube de registrar novos reforços durante um período crítico do planejamento esportivo, até que a dívida, no valor de US$ 21 milhões, fosse finalmente quitada no início de fevereiro de 2026. Com o pagamento confirmado, a Fifa liberou o clube para voltar a inscrever jogadores, permitindo a chegada de reforços para a temporada de 2026.

O alívio, no entanto, durou pouco. Menos de um mês depois de o proprietário do clube, o empresário americano John Textor, anunciar publicamente o fim do transfer ban, o Botafogo voltou a ser condenado pela Fifa, desta vez por uma dívida relacionada à contratação do atacante Luiz Henrique, negociado junto ao Real Betis, da Espanha, em 2024, por cerca de € 20 milhões — na época, a maior transferência já paga por um clube brasileiro.

A cobrança do Betis pelas metas atingidas por Luiz Henrique

O contrato de compra de Luiz Henrique previa uma cláusula variável: caso o atacante disputasse 60% das partidas pelo Botafogo, o clube deveria pagar ao Betis um valor adicional de € 2 milhões. A meta foi atingida — Luiz Henrique se tornou peça importante da campanha do Botafogo, inclusive marcando um dos gols na conquista da Libertadores de 2024 —, mas o pagamento da cláusula variável não foi feito dentro do prazo estipulado em contrato. O Betis então acionou a Fifa, que determinou que o Botafogo pagasse € 1,95 milhão, já com desconto de 2,5% referente ao mecanismo de solidariedade, além de juros de 18% ao ano contados a partir de junho de 2025, multa de US$ 165 mil e custas processuais de US$ 25 mil, totalizando um débito próximo de R$ 15 milhões.

A Fifa concedeu ao Botafogo um prazo de 45 dias para o pagamento integral da dívida. Caso o valor não fosse quitado dentro desse período, o clube ficaria sujeito a um novo transfer ban, com impedimento de registrar jogadores por até três janelas de transferências consecutivas — punição que teria efeito direto sobre o planejamento do elenco alvinegro ao longo da temporada. O próprio Botafogo reconheceu a dívida publicamente, mas contestou parte dos valores cobrados, pedindo redução da taxa de juros de 18% para 5% ao ano, argumento que a Fifa rejeitou parcialmente ao manter a decisão original nos termos apresentados pelo Betis.

O caso do Botafogo ilustra como mesmo clubes com investidores internacionais de peso, como é o caso da SAF controlada por John Textor, não estão imunes a esse tipo de punição, especialmente quando negociações envolvem cláusulas variáveis complexas atreladas a metas esportivas que, uma vez atingidas, geram obrigações financeiras adicionais nem sempre previstas no fluxo de caixa original do clube comprador. A recorrência de casos também reforça como o transfer ban se tornou uma preocupação constante para departamentos financeiros de clubes brasileiros que atuam de forma intensa no mercado internacional de transferências.

Internamente, a diretoria do Botafogo afirmou possuir caixa suficiente para negociar e quitar a obrigação com o Betis, buscando evitar a repetição de uma restrição que já havia limitado a capacidade de reforços do clube no início da própria temporada de 2026. A urgência em resolver o caso também reflete o calendário do clube, que disputa simultaneamente competições nacionais e continentais e depende da capacidade de ajustar o elenco ao longo do ano para se manter competitivo em diferentes frentes.

Fonte: Bolavip
Perguntas frequentes
Quanto o Botafogo pagou para encerrar o transfer ban por Almada?

US$ 21 milhões ao Atlanta United, pagamento confirmado no início de fevereiro de 2026.

Por que o Botafogo é cobrado pelo Real Betis?

Por uma cláusula variável da compra de Luiz Henrique: o atacante disputou 60% das partidas, meta que ativou um pagamento adicional de € 2 milhões não quitado no prazo.

Quanto tempo o Botafogo teve para pagar a dívida com o Betis?

45 dias, sob risco de novo transfer ban por até três janelas de transferências.