Quinta-feira, 13/08/2026
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Grupo detalha proposta de transformar o Corinthians em SAF vendida aos torcedores

Representantes do movimento pró-SAF explicam modelo em que apenas torcedores e associados poderão comprar ações com direito a voto, com conselho de administração técnico separado de um conselho consultivo formado por representantes da torcida.

Grupo detalha proposta de transformar o Corinthians em SAF vendida aos torcedores

Em entrevista ao programa Cara a Tapa, comandado por Ricardo Perrone, um dos representantes do movimento que discute a transformação do Corinthians em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) detalhou como funcionaria o modelo de venda de ações do clube aos próprios torcedores. Segundo o entrevistado, a proposta nasceu de uma reunião entre grandes doadores da Neo Química Arena, motivada pela insatisfação com a gestão associativa do clube e pela dificuldade de promover mudanças pelo caminho político tradicional.

De acordo com o relato, o sistema de eleições internas do Corinthians exigiria, na prática, cerca de dez anos entre a filiação de um sócio e sua elegibilidade a cargos de liderança, o que tornaria o caminho político pouco viável para promover reformas estruturais. Diante desse cenário, e observando a trajetória da dívida do clube, o grupo concluiu que a transformação em SAF seria o caminho necessário para equacionar o problema financeiro e reorganizar a governança do Corinthians.

Segundo o modelo apresentado, poderão comprar ações da SAF com direito a voto apenas torcedores vinculados a um programa de sócio-torcedor reformulado, além dos associados já vinculados à atual associação civil do clube. O entrevistado destacou que a operação não deve ser entendida como uma venda do Corinthians a investidores externos, já que o controle das ações permaneceria concentrado entre torcedores e associados, e não haveria abertura para negociação livre em bolsa, como ocorre em um IPO tradicional.

A estrutura de governança proposta prevê dois órgãos principais: um conselho de administração, formado exclusivamente por conselheiros independentes com qualificação técnica e sem vínculo direto com a torcida ou com a associação, e um conselho consultivo, formado por representantes dos torcedores e da associação civil, mas sem poder executivo. Segundo o modelo, a empresa que reunirá os torcedores investidores indicará três representantes ao conselho consultivo, enquanto a associação indicará outros dois.

De acordo com o entrevistado, essa separação busca equilibrar profissionalização da gestão com a manutenção do que chamou de elemento passional do clube, evitando decisões tomadas sob pressão de resultados de curto prazo, como derrotas em fins de semana, mas também impedindo que qualquer grupo isolado de acionistas concentre poder de decisão sobre o clube.

O modelo, segundo o relato, foi desenvolvido ao longo de aproximadamente doze meses, com validação junto a diferentes públicos, das sedes de torcidas organizadas do Corinthians a bancos de investimento. A expectativa apresentada na entrevista é de que entre 300 mil e 350 mil torcedores corintianos se tornem compradores de ações da SAF caso o modelo avance.

Questionado sobre uma crítica recorrente a modelos de SAF, de que a mudança apenas trocaria um grupo de decisão passional por outro, agora com dinheiro envolvido, o entrevistado argumentou que a exigência de qualificação técnica para o conselho de administração seria justamente o mecanismo criado para evitar essa repetição de padrão, já que as decisões executivas ficariam concentradas em profissionais de mercado remunerados para essa função, e não em representantes diretos da torcida.

O debate ocorre em um contexto em que outros clubes brasileiros de estrutura associativa, como São Paulo e Santos, enfrentam desafios financeiros semelhantes aos do Corinthians, atribuídos, segundo o entrevistado, a incentivos de governança inadequados dentro do modelo de associação civil tradicional do futebol brasileiro.

O entrevistado citou o Flamengo como exemplo de clube que, mesmo mantendo o modelo associativo tradicional, conseguiu adotar um plano de disciplina financeira de longo prazo, algo que, segundo ele, o Corinthians não teria conseguido replicar dentro da estrutura política atual do clube, o que reforçou a avaliação do grupo de que a transformação em SAF seria o caminho mais viável para equacionar a dívida corintiana nos próximos anos.

Fonte: Cara a Tapa com Rica Perrone
Perguntas frequentes
Quem poderá comprar ações da SAF do Corinthians com direito a voto?

Apenas torcedores vinculados a um programa de sócio-torcedor reformulado e associados já vinculados à atual associação civil do clube, segundo o modelo apresentado.

Como ficaria a governança do Corinthians com a SAF?

Haveria um conselho de administração formado por conselheiros técnicos independentes, sem vínculo com torcida ou associação, e um conselho consultivo com representantes de torcedores e da associação, mas sem poder executivo.

Por que o grupo defende a transformação em SAF em vez do caminho político tradicional?

Porque o sistema de eleições internas do clube exigiria cerca de dez anos entre a filiação de um sócio e sua elegibilidade a cargos de liderança, tornando reformas estruturais pelo caminho político pouco viáveis.

Quantos torcedores devem comprar ações da SAF, segundo a expectativa apresentada?

A expectativa citada na entrevista é de que entre 300 mil e 350 mil torcedores corintianos se tornem compradores de ações caso o modelo avance.