Quinta-feira, 01/10/2026
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MP-SP abre inquérito sobre patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians

O Ministério Público de São Paulo investiga se o patrocínio da plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans ao Corinthians viola direitos de crianças e adolescentes. O acordo já motivou abaixo-assinado e protesto na porta da casa do presidente do clube.

MP-SP abre inquérito sobre patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito para apurar o patrocínio da plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans ao Corinthians. A investigação busca verificar se o acordo comercial entre o clube e a empresa pode representar risco ou violação aos direitos de crianças e adolescentes.

A portaria foi assinada pelo promotor Santiago Miguel Nakano Perez, da Promotoria da Infância e Juventude da Capital, e tem como investigados tanto o Corinthians quanto a FF Tecnologia Ltda., empresa responsável pela Fatal Fans. A abertura formal do inquérito atende a uma representação protocolada em 17 de julho pela vereadora Keit Lima, do PSol, na Câmara Municipal de São Paulo.

O que o Ministério Público vai apurar

Segundo o documento, a Fatal Fans deverá apresentar avaliações de segurança, análises de risco e mecanismos de proteção voltados a crianças e adolescentes relacionados à parceria com o clube. O MP também requisitou a íntegra do contrato de patrocínio, incluindo anexos, eventuais alterações, plano de mídia, calendário de ações publicitárias e cláusulas de proteção.

A investigação também pretende mapear o alcance da publicidade da marca dentro da estrutura do Corinthians. O órgão cita a presença da Fatal Fans no calção do time profissional masculino de futebol, na parte traseira do uniforme de basquete e na barra inferior da camisa do futsal, além de possíveis ativações em outros espaços do clube. Um dos pontos centrais da apuração é verificar se essa publicidade chega também a categorias de base, escolinhas, projetos sociais e produtos infantis ligados à marca alvinegra.

A Fatal Fans já havia sido procurada anteriormente pelo Ministério Público, mas não respondeu dentro do prazo estabelecido na ocasião. Agora, formalmente notificada como investigada, a empresa tem 15 dias corridos para prestar esclarecimentos e enviar a documentação solicitada. O Corinthians, por sua vez, pediu acesso integral aos autos da investigação e um prazo maior para se manifestar, pedido que foi aceito pelo Ministério Público.

Uma polêmica que já vinha de semanas

O patrocínio, anunciado pelo clube no início de julho, gerou forte reação de torcedores desde o começo. A parceria motivou um abaixo-assinado que ultrapassou 40 mil assinaturas, além da representação que originou o inquérito agora instaurado. A Fatal Fans pertence à Atlas Technologies, mesma empresa responsável pela Fatal Model, outra plataforma que já havia gerado polêmica ao patrocinar clubes de futebol no Brasil.

A repercussão negativa também chegou às ruas: torcedores organizaram um protesto em frente à casa do presidente do Corinthians, Osmar Stabile, cobrando explicações sobre a parceria e o fim do contrato com a plataforma. Procurado à época do anúncio, o clube informou que não se manifestaria sobre a repercussão do patrocínio.

Com a instauração do inquérito, o caso ganha um capítulo formal dentro da esfera judicial, e o desfecho da apuração pode ter reflexos diretos sobre a continuidade do contrato entre o Corinthians e a Fatal Fans. Enquanto isso, o clube segue focado também nas competições esportivas, com jogos importantes pela Série A do Brasileirão e pela fase eliminatória da Copa Libertadores nas próximas semanas, período em que a polêmica extracampo deve continuar dividindo espaço com a agenda esportiva do Timão.

O episódio reacende um debate mais amplo no futebol brasileiro sobre os limites da publicidade de marcas ligadas ao público adulto em clubes com grande base de torcedores jovens. Casos semelhantes envolvendo outras plataformas do mesmo segmento já haviam gerado discussões parecidas em outros clubes nos últimos anos, mas a instauração de um inquérito formal do Ministério Público coloca o caso do Corinthians em um patamar diferente de repercussão institucional, com prazo de resposta já em curso tanto para a plataforma quanto para o próprio clube.

Fonte: Meu Timão (UOL)
Perguntas frequentes
O que o Ministério Público de São Paulo está investigando?

Se o patrocínio da Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto, ao Corinthians representa risco ou violação aos direitos de crianças e adolescentes.

Quem pediu a investigação?

A vereadora Keit Lima, do PSol, que protocolou uma representação no Ministério Público em 17 de julho.

Onde a marca Fatal Fans aparece nos uniformes do Corinthians?

No calção do time profissional de futebol, na parte traseira do uniforme de basquete e na barra inferior da camisa do futsal.

Quanto tempo a Fatal Fans tem para responder ao MP?

15 dias corridos a partir da notificação formal como investigada.