A rivalidade entre Real Madrid e Barcelona, conhecida como El Clásico, é acompanhada por uma disputa paralela e constante sobre qual dos dois clubes é, de fato, o maior da Espanha e do mundo. Uma análise do programa Cara a Tapa, com Ricardo Perrone, reuniu diferentes critérios objetivos para tentar responder a essa pergunta, que costuma dividir opiniões entre torcedores dos dois clubes.
No quesito títulos nacionais, o Real Madrid leva vantagem no Campeonato Espanhol, com mais conquistas de La Liga do que o Barcelona ao longo da história. Já na Copa do Rei, a principal competição de mata-mata do país, o Barcelona aparece à frente, com mais títulos conquistados do que o rival madrilenho. No âmbito europeu, o Real Madrid é disparado o maior vencedor da história da Liga dos Campeões, com o maior número de taças conquistadas entre todos os clubes do continente, enquanto o Barcelona também tem conquistas relevantes na competição, embora em número inferior ao do rival.
Do ponto de vista financeiro, os dois clubes costumam alternar posições entre os maiores em receita do futebol mundial em rankings elaborados por consultorias especializadas, com o Real Madrid frequentemente ocupando a primeira posição nos anos mais recentes, à frente do próprio Barcelona e de outros gigantes europeus como Manchester City e Bayern de Munique. Ambos os clubes operam sob o modelo de sócio-torcedor, sem dono majoritário individual, o que os diferencia da maioria dos grandes clubes europeus atualmente controlados por investidores ou fundos internacionais.
Em relação ao valor de mercado do elenco, a análise aponta que a comparação costuma variar bastante ano a ano, dependendo das contratações e da valorização de jogadores específicos de cada equipe, sem uma vantagem permanente e consistente de um clube sobre o outro nesse critério ao longo do tempo.
No quesito base de torcedores e alcance global, tanto Real Madrid quanto Barcelona aparecem entre os clubes com maior número de seguidores em redes sociais do mundo, à frente da imensa maioria de outras equipes europeias, com margem relativamente pequena entre os dois quando comparados entre si, mas com folga considerável sobre outros grandes clubes do continente.
A análise também discute a questão histórica dos "socios" fundadores e da simbologia política associada a cada clube ao longo do século XX, com o Barcelona historicamente associado ao movimento separatista catalão e à resistência cultural durante o período do regime de Francisco Franco, enquanto o Real Madrid, sediado na capital espanhola, é frequentemente lembrado por sua proximidade histórica com o poder central do Estado espanhol durante o mesmo período. Essa dimensão simbólica é apontada como um fator que intensifica emocionalmente a disputa entre os dois clubes, para além dos números esportivos e financeiros.
Ao ponderar os diferentes critérios apresentados, a conclusão da análise é que não existe uma resposta definitiva e unânime sobre qual dos dois é efetivamente "maior", já que cada critério favorece um dos clubes de forma diferente: o Real Madrid tende a levar vantagem em conquistas internacionais e receita financeira mais recente, enquanto o Barcelona mantém força em títulos nacionais específicos e em uma identidade cultural e política historicamente mais marcante dentro da Espanha.
A análise conclui que a rivalidade entre os dois clubes segue sendo, além de uma disputa esportiva, um debate sobre identidade, história e representatividade que dificilmente será encerrado por um único critério objetivo, o que ajuda a explicar por que o El Clásico permanece como um dos confrontos mais acompanhados do futebol mundial, independentemente do momento esportivo de cada uma das equipes na temporada.
Outro ponto levantado na análise é o peso das categorias de base e do impacto histórico de jogadores formados nas divisões inferiores de cada clube. O Barcelona costuma ser citado como referência mundial nesse quesito, principalmente pela tradição da chamada La Masia, sua academia de formação, responsável por revelar diversos jogadores que se tornaram referências globais do futebol ao longo das últimas décadas, o que reforça a identidade do clube como um projeto também voltado à formação esportiva, e não apenas à contratação de estrelas já consolidadas no mercado internacional.