Sexta-feira, 02/10/2026
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Trump ordena que Marinha dos EUA abandone catapultas eletromagnéticas

Diretiva assinada nesta semana determina a remoção do sistema EMALS dos porta-aviões da classe Ford e o retorno às catapultas a vapor. Medida deve custar bilhões de dólares e foi criticada por senadores e pela fabricante da tecnologia.

Trump ordena que Marinha dos EUA abandone catapultas eletromagnéticas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que a Marinha americana remova o sistema eletromagnético usado para lançar caças a partir dos porta-aviões da classe Ford, os mais modernos da frota, e volte a usar as antigas catapultas a vapor, segundo diretiva assinada na quinta-feira. A medida deve custar bilhões de dólares e reverte parte da tecnologia mais avançada já incorporada aos navios de guerra americanos.

O memorando determina que o Pentágono e a Marinha apresentem a Trump, em até dois meses, planos para retirar o Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves, conhecido pela sigla EMALS, além de substituir os elevadores eletromagnéticos de armamento dos porta-aviões da classe Ford por sistemas hidráulicos, semelhantes aos usados nos navios mais antigos da classe Nimitz.

Por que Trump insiste no retorno ao vapor

A decisão é resultado de anos de críticas públicas de Trump ao sistema eletromagnético, que ele considera pouco confiável desde o primeiro mandato. Em entrevista à revista Time em 2017, o presidente já havia relatado ter orientado a Marinha a abandonar o sistema digital, afirmando que a tecnologia "não é boa" e não tem "a força" das catapultas a vapor tradicionais. Mais recentemente, durante um discurso a bordo do porta-aviões USS George Washington, Trump reafirmou a intenção de formalizar a mudança por meio de uma diretiva oficial.

Segundo a diretiva, o USS Doris Miller, quarto porta-aviões da classe Ford, atualmente em construção nos estaleiros da Newport News Shipbuilding, será o primeiro a incorporar as mudanças determinadas. Já o USS Gerald R. Ford, já em operação, e os futuros USS John F. Kennedy e USS Enterprise permanecem sem alteração no sistema de lançamento.

A General Atomics, empresa responsável pela fabricação do EMALS, informou à agência Associated Press que a decisão de não avançar com o sistema no USS Doris Miller "merece reconsideração cuidadosa", já que parte do trabalho no navio já estaria com metade da construção concluída, segundo a companhia. Executivos da empresa alertaram que a mudança de rumo nesta etapa poderia gerar riscos adicionais de custo, cronograma e integração dos sistemas.

Críticas de parlamentares e comparação com outras potências

A medida foi criticada por parte de senadores democratas, incluindo o senador Mark Kelly, do Arizona, ex-piloto da Marinha e integrante da Comissão de Serviços Armados do Senado. Kelly, que possui mestrado em engenharia aeronáutica e já atuou como piloto de testes, declarou publicamente nas redes sociais que não se sentiria confortável em opinar sobre engenharia de sistemas navais, sugerindo que o presidente deveria evitar esse tipo de intervenção técnica.

O memorando também determina a criação de um quinto estaleiro público para ampliar a capacidade de reparo de porta-aviões e submarinos nos Estados Unidos, somando-se aos quatro já existentes, localizados no Havaí, em Washington, na Virgínia e no Maine. A decisão ocorre em um momento em que a Marinha americana enfrenta dificuldades para recrutar marinheiros suficientes para operar seus navios, e o sistema a vapor, segundo especialistas, costuma exigir mais tripulação e manutenção mais intensa do que o modelo eletromagnético.

O tema chega ao Congresso em meio à discussão do orçamento de defesa, com o secretário de Guerra, Pete Hegseth, defendendo pacotes bilionários de financiamento adicional para as Forças Armadas americanas. Enquanto os Estados Unidos avaliam recuar da tecnologia eletromagnética, os porta-aviões mais recentes da China já utilizam catapultas do mesmo tipo, e a França anunciou planos de adotar o sistema em seu próximo porta-aviões, segundo informações levantadas pela reportagem da Associated Press.

Analistas ouvidos pela imprensa americana ponderam que, apesar dos problemas de manutenção enfrentados pelo EMALS desde sua implementação, o sistema eletromagnético permite lançamentos de aeronaves em velocidades mais ajustáveis e com menor desgaste estrutural dos aviões, quando comparado ao impacto mais brusco das catapultas a vapor tradicionais, características frequentemente citadas por especialistas em engenharia naval como vantagens técnicas da tecnologia mais recente.

Fonte: Associated Press
Perguntas frequentes
O que Trump determinou sobre os porta-aviões da Marinha americana?

Uma diretiva assinada na quinta-feira ordena que a Marinha remova o sistema eletromagnético EMALS dos porta-aviões da classe Ford e volte a usar catapultas a vapor, além de substituir os elevadores de armamento eletromagnéticos por sistemas hidráulicos.

Qual será o primeiro porta-aviões a receber as mudanças?

O USS Doris Miller, quarto navio da classe Ford, ainda em construção. Os já existentes USS Gerald R. Ford, USS John F. Kennedy e USS Enterprise não serão alterados.

Por que a fabricante do EMALS criticou a decisão?

A General Atomics afirmou que parte do trabalho no USS Doris Miller já estaria com metade concluída, e que mudar de sistema nessa etapa poderia gerar riscos adicionais de custo, cronograma e integração.

Outros países usam o sistema eletromagnético que os EUA estão abandonando?

Sim. Segundo a reportagem, os porta-aviões mais recentes da China já utilizam catapultas eletromagnéticas, e a França anunciou planos de adotar o mesmo sistema em seu próximo porta-aviões.