Quinta-feira, 01/10/2026
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TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém vídeo de Flávio Bolsonaro com críticas a Lula

Por 5 votos a 2, plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral rejeitou liminar que havia negado pedido para retirar publicação do senador contra o presidente.

TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém vídeo de Flávio Bolsonaro com críticas a Lula

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta sexta-feira (14) para derrubar uma decisão individual do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que havia negado a retirada de um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro (PL) com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso foi julgado no plenário virtual do tribunal, em sessão extraordinária realizada entre os dias 12 e 14 de agosto. A ação foi movida pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, contra o senador, que é pré-candidato à Presidência da República.

Por 5 votos a 2, a maioria dos ministros divergiu do entendimento de Nunes Marques e não referendou a decisão que ele havia tomado como relator, em julho. Votaram contra o relator os ministros Estela Aranha, Dias Toffoli, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques e Antonio Carlos Ferreira. André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o único a acompanhar o relator. O placar final, portanto, representou uma derrota expressiva para o presidente do Tribunal, que viu seu posicionamento inicial ser rejeitado pela maioria dos ministros.

A decisão original, de 26 de julho, havia rejeitado um pedido de liminar para a remoção do vídeo das redes sociais, com o próprio relator determinando que seu entendimento fosse posteriormente submetido a referendo do plenário. Na ação, a Federação Brasil da Esperança acusou Flávio de propaganda eleitoral antecipada negativa contra Lula. A tese central da federação era que o conteúdo do vídeo não se limitava a uma crítica política legítima, mas associava falsamente o presidente a organizações criminosas, o que extrapolaria os limites da liberdade de expressão.

Conteúdo do vídeo e argumentos da ação

Entre as declarações contestadas está uma publicação em que o senador afirma que Lula, ao viajar aos Estados Unidos, teria ido como "defensor do PCC e do Comando Vermelho" e que o petista teria feito "mais pelo crime do que pelo povo brasileiro". No mesmo vídeo, Flávio diz ter "Deus" ao seu lado, enquanto Lula teria "o diabo". A federação argumentou que o conteúdo extrapolava os limites da crítica política ao associar falsamente Lula a organizações criminosas, e que Flávio usava a publicação para promover sua própria pré-candidatura ao Planalto, aproveitando o embate político para ganhar visibilidade entre os eleitores mais alinhados à direita.

A peça apresentada pela federação também destacou que as declarações de Flávio não eram meramente opinativas, mas continham afirmações factuais falsas — como a de que Lula teria viajado como representante de facções criminosas. Para os autores da ação, esse tipo de conteúdo ultrapassa o que a legislação eleitoral permite como crítica política e se configura como propaganda negativa com potencial de influenciar indevidamente o eleitorado.

A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, sustentou que o senador exercia seu direito de criticar o adversário político em um momento de disputa eleitoral. Os advogados do parlamentar argumentaram que as declarações, ainda que contundentes, estavam protegidas pela liberdade de expressão e que não havia provas de que o conteúdo fosse objetivamente falso — apenas uma interpretação política dos fatos, como a viagem de Lula aos EUA e os encontros diplomáticos ali realizados.

O argumento de Nunes Marques, vencido no plenário

Ao negar a retirada do vídeo, Nunes Marques argumentou que a intervenção da Justiça Eleitoral sobre manifestações políticas deve ser excepcional, em defesa da liberdade de expressão durante o processo eleitoral. Segundo o ministro, não cabe à Justiça Eleitoral escolher qual narrativa deve prevalecer no debate público, mas apenas verificar a ocorrência de situações objetivamente ilícitas à luz da legislação eleitoral.

No caso de Flávio, ele considerou que as declarações, apesar da linguagem "contundente, hiperbólica e retórica", não configuravam, em uma análise preliminar, uma imputação objetiva de vínculo entre Lula e organizações criminosas. Para o relator, as falas se inseriam em um contexto de críticas às políticas de segurança pública, à política externa e à atuação diplomática do governo — todas questões legítimas de debate político, mesmo quando expressas em tom agressivo.

Nunes Marques também havia afastado, à época, a alegação de divulgação de informação falsa, sustentando que esse tipo de irregularidade exige uma afirmação factual cuja falsidade possa ser demonstrada objetivamente, e não apenas uma declaração considerada exagerada ou politicamente inadequada. O ministro ressaltou que o sistema eleitoral deve ser tolerante com o discurso político, mesmo quando ele é desagradável ou ofensivo, sob pena de se criar um ambiente de censura prévia que comprometeria a pluralidade do debate democrático.

Esse entendimento, no entanto, ficou vencido no plenário virtual: com cinco votos divergentes contra dois favoráveis ao relator, a maioria do TSE derrubou a decisão individual de Nunes Marques.

Fonte: CNN Brasil
Perguntas frequentes
O que o TSE decidiu sobre o vídeo de Flávio Bolsonaro?

Por 5 votos a 2, o plenário derrubou a decisão individual do presidente da Corte, Nunes Marques, que havia negado a retirada do vídeo. O conteúdo permanece no ar, mas o entendimento do relator foi rejeitado pela maioria dos ministros.

O que dizia o vídeo de Flávio Bolsonaro?

Flávio afirmava que Lula foi aos EUA como 'defensor do PCC e do Comando Vermelho' e que teria feito 'mais pelo crime do que pelo povo brasileiro'. O senador também disse ter 'Deus' ao lado, enquanto Lula teria 'o diabo'.

Qual era o argumento de Nunes Marques?

Ele defendia que a Justiça Eleitoral só deve intervir em casos de irregularidades objetivas, não para escolher qual narrativa política prevalece. Considerou as falas de Flávio como 'hiperbólicas e retóricas', mas dentro do debate político.

O que muda com essa decisão?

O plenário inverteu o entendimento do relator, estabelecendo que as declarações de Flávio extrapolavam os limites da crítica política ao associar Lula a facções criminosas. O caso serve de precedente para futuras ações sobre propaganda eleitoral antecipada.