Quinta-feira, 01/10/2026
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Saúde e Bem-Estar

Anvisa atualiza alerta sobre risco de dano hepático em suplementos de cúrcuma

A agência reforçou restrições a produtos concentrados de cúrcuma após relatos internacionais de lesão grave no fígado, mas o tempero usado na cozinha continua seguro.

Anvisa atualiza alerta sobre risco de dano hepático em suplementos de cúrcuma
Conteúdo informativo — não substitui orientação médica profissional. Para decisões sobre sua saúde, consulte um profissional habilitado.

A Anvisa reforçou o alerta sobre o risco de danos ao fígado associados ao consumo de medicamentos e suplementos alimentares à base de cúrcuma, também conhecida como açafrão-da-terra. A atualização, publicada em agosto, chega poucos meses depois de a agência já ter limitado a dosagem permitida em suplementos concentrados e exigido advertências obrigatórias nos rótulos, medida motivada por relatos internacionais de lesão hepática grave associada ao uso do produto.

Por que um tempero comum virou alvo de alerta sanitário

A cúrcuma ganhou enorme popularidade nos últimos anos como suplemento natural, impulsionada por vídeos nas redes sociais que apontam a substância como anti-inflamatória e benéfica para diversas condições de saúde. O problema, segundo a Anvisa, não está no uso da especiaria em pequenas quantidades na alimentação do dia a dia, mas nas formulações concentradas vendidas em cápsulas, comprimidos e extratos, que podem entregar doses de curcumina muito acima do que o organismo recebe em uma refeição comum.

Investigações internacionais conduzidas por agências sanitárias da Itália, Austrália, Canadá e França identificaram casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram esses produtos concentrados, incluindo relatos de hepatite. Na França, a agência responsável por segurança alimentar registrou dezenas de notificações de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina em seu sistema de vigilância nutricional. Com base nesses dados, a Anvisa publicou seu primeiro alerta nacional sobre o tema em março, seguido por uma atualização em abril que estabeleceu limites de dosagem e exigiu advertências específicas nos rótulos dos produtos vendidos no Brasil.

O que muda para quem consome suplementos de cúrcuma

Segundo a nova regulamentação, os rótulos de suplementos à base de cúrcuma passam a ser obrigados a alertar que o consumo não é recomendado para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas. A preocupação regulatória concentra-se especialmente em formulações que utilizam tecnologias para aumentar a absorção da curcumina no organismo, já que essas versões elevam significativamente a exposição do fígado ao composto, ampliando o risco em pessoas mais suscetíveis.

Especialistas destacam alguns sinais de alerta que merecem atenção imediata em quem consome o produto: pele ou olhos amarelados, conhecido como icterícia, urina muito escura, cansaço excessivo sem explicação aparente, náuseas, perda de apetite ou dor na região abdominal. Diante de qualquer um desses sintomas após o início do uso de suplementos concentrados de cúrcuma, a recomendação é interromper o consumo imediatamente e procurar avaliação médica. Grupos que fazem uso de anticoagulantes, imunossupressores ou determinados medicamentos oncológicos também precisam de atenção redobrada, já que a curcumina pode interagir com essas classes de medicamentos.

A Anvisa reforça que a percepção de que produtos naturais são sempre seguros pode levar ao uso indiscriminado, sem orientação profissional, o que amplia o risco de efeitos adversos mesmo em substâncias amplamente utilizadas na culinária. As empresas fabricantes de suplementos concentrados têm prazo para se adequar às novas exigências de rotulagem, enquanto medicamentos que contêm extratos de cúrcuma também precisam atualizar suas bulas com as informações sobre o risco de hepatotoxicidade. Para o consumidor, a orientação segue sendo a mesma de qualquer suplemento concentrado: buscar orientação de um profissional de saúde antes de iniciar o uso, especialmente em caso de uso prolongado ou combinado com outros medicamentos.

O alerta se soma a uma série de medidas recentes da Anvisa voltadas à fiscalização de suplementos alimentares vendidos no Brasil, num momento em que a categoria segue em expansão puxada por tendências de bem-estar difundidas nas redes sociais. Para especialistas em farmacovigilância, o caso da cúrcuma reforça um ponto importante: a origem vegetal de uma substância não elimina a necessidade de avaliação de segurança quando ela é concentrada em doses muito acima das encontradas naturalmente na alimentação, e o consumidor deve tratar suplementos concentrados com o mesmo cuidado dedicado a qualquer outro produto que afete diretamente o funcionamento do organismo.

Fonte: Anvisa
Perguntas frequentes
Cúrcuma usada na comida faz mal ao fígado?

Não. O alerta da Anvisa não se aplica ao uso da cúrcuma como tempero na alimentação cotidiana, considerado seguro.

Quais são os sintomas de alerta para quem usa suplementos de cúrcuma?

Pele ou olhos amarelados, urina muito escura, cansaço excessivo, náuseas, perda de apetite e dor abdominal.

Quem deve evitar suplementos concentrados de cúrcuma?

Gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas, segundo a nova exigência de rotulagem da Anvisa.