O mercado global de consoles de videogame caminha para uma queda histórica em 2026, e a Xbox aparece como a marca mais afetada pela crise, segundo um novo relatório da consultoria S&P Global Market Intelligence. As projeções indicam retração de 19,5% nas remessas globais de consoles neste ano, com a linha da Microsoft sofrendo o recuo mais acentuado entre os três grandes fabricantes do setor.
Um tombo sem precedentes na história recente do console
Segundo o levantamento, a Xbox Series X|S deve encerrar 2026 com apenas 2,5 milhões de unidades vendidas globalmente, uma queda expressiva em relação ao ano anterior e o pior resultado já registrado pela linha desde seu lançamento em 2020. A situação já vinha se deteriorando ao longo do ano: no primeiro trimestre, as vendas trimestrais caíram pela primeira vez para menos de 500 mil unidades, marca inédita na série histórica de dados acompanhada pela consultoria. Relatórios financeiros da própria Microsoft confirmam o cenário: a receita com hardware Xbox caiu 29% no ano fiscal de 2026, com o quarto trimestre registrando queda de 13% na comparação anual.
Analistas apontam uma combinação de fatores por trás da crise: uma biblioteca de jogos exclusivos considerada irregular nos últimos anos, uma estratégia de aposta forte em assinaturas que não conseguiu, sozinha, sustentar a demanda por hardware, e sucessivos aumentos de preço que deixaram o console em desvantagem direta frente ao concorrente da Sony. Desde o início de 2025, a Microsoft já reajustou o preço do Xbox Series X três vezes, chegando a US$ 800 a partir de agosto deste ano — valor consideravelmente acima do praticado pelo PlayStation 5 padrão.
PlayStation e Nintendo também sentem o baque, mas resistem melhor
Apesar de a Xbox concentrar a maior parte da queda, o cenário não é fácil para nenhum dos três grandes fabricantes. O mercado global de consoles como um todo deve cair de 42,1 milhões de unidades vendidas em 2025 para 33,9 milhões neste ano, uma perda de mais de 8 milhões de aparelhos em um único ano. O PlayStation 5 também sofreu forte retração no primeiro semestre, com queda de 58% nas vendas nos Estados Unidos em maio, o pior resultado do mês desde o ano 2000, segundo dados da consultoria Circana. Ainda assim, tanto o PS5 quanto o Nintendo Switch 2 seguem vendendo na casa das dezenas de milhões de unidades, absorvendo proporcionalmente menos o impacto da crise do que a linha da Microsoft.
Um fator citado por analistas como possível alívio para o segundo semestre é o lançamento de "Grand Theft Auto VI", previsto para 19 de novembro exclusivamente para PlayStation 5 e Xbox Series X|S, sem versão para PC no lançamento. O título é visto pela indústria como o principal — e talvez único — catalisador capaz de impulsionar as vendas de hardware neste fim de ano, tanto para Sony quanto para Microsoft, dado o histórico de jogos de grande apelo popular gerarem picos expressivos de venda de consoles associados ao lançamento.
Para o futuro mais distante, o relatório da S&P Global também traça previsões para a próxima geração de consoles: o PlayStation 6 é esperado para 2028, com projeção de cerca de 4 milhões de unidades no primeiro ano, enquanto o sucessor da Xbox, batizado internamente de Project Helix, deve estrear em ritmo bem mais modesto, com cerca de 2 milhões de unidades vendidas no primeiro ano — uma diferença que, segundo analistas, reflete diretamente o enfraquecimento da posição da Microsoft no mercado tradicional de consoles dedicados nos últimos anos.
Apesar do cenário desafiador, a Microsoft já vem sinalizando uma mudança de estratégia para tentar reverter parte da situação: o Project Helix é projetado para suportar tanto jogos tradicionais da biblioteca Xbox quanto títulos originalmente lançados para PC, além de manter retrocompatibilidade completa com gerações anteriores — uma aposta em maior flexibilidade que a empresa espera que ajude a diferenciar o próximo console em um mercado cada vez mais competitivo e pressionado por custos elevados de produção de componentes como memória RAM e armazenamento.