O tempo seco que atinge boa parte do Brasil neste mês de agosto está deixando nariz e garganta entre as regiões do corpo que mais sofrem com o ressecamento. Médicos relatam aumento de queixas como ardência, formação de crostas nasais e até pequenos sangramentos, um quadro conhecido como epistaxe, que se torna mais comum quando a umidade relativa do ar cai abaixo dos 30%.
Por que o ar seco faz o nariz sangrar
O nariz funciona como um sistema natural de climatização, filtrando, aquecendo e umidificando o ar antes que ele chegue aos pulmões. Quando a umidade do ambiente despenca, a mucosa nasal precisa trabalhar muito além do normal para cumprir essa função, o que a deixa ressecada, irritada e mais sujeita a pequenas fissuras. Segundo especialistas, é justamente nessas rachaduras que o sangramento costuma aparecer, principalmente quando a pessoa assoa o nariz com força ou coça a região.
O fenômeno não afeta só o nariz. A garganta seca, a tosse persistente que piora à noite, dores de cabeça, tontura e até maior suscetibilidade a gripes e resfriados também entram na lista de efeitos do tempo seco sobre o organismo, já que as mucosas ressecadas perdem parte de sua função de barreira contra vírus e bactérias. Crianças, idosos e pessoas com rinite alérgica ou desvio de septo estão entre os grupos mais sensíveis a esses sintomas.
O que fazer para se proteger enquanto durar a estiagem
A boa notícia, segundo médicos otorrinolaringologistas, é que a prevenção é simples e não exige nenhum tipo de medicamento. A recomendação mais citada é a higiene nasal com soro fisiológico, aplicado várias vezes ao dia, o que ajuda a remover partículas e crostas e a manter a mucosa hidratada. Soros em gel também aparecem como alternativa, já que formam uma camada de proteção que dura mais tempo do que a versão líquida tradicional.
Além da hidratação local, aumentar a ingestão de água ao longo do dia é apontado como medida importante para repor o líquido que o corpo perde mais rapidamente durante períodos secos, tanto pela respiração quanto pela transpiração. Umidificadores de ar em ambientes fechados, especialmente durante a noite, e evitar longos períodos em locais com ar-condicionado ligado direto no rosto também ajudam a reduzir o desconforto nas vias respiratórias.
Quanto ao sangramento em si, a orientação médica é que um episódio pequeno, isolado e que para sozinho em pouco tempo geralmente não é motivo de preocupação. Nesses casos, o procedimento indicado é pressionar as narinas suavemente por alguns minutos, inclinando levemente a cabeça para frente, até que o sangramento cesse. Já sinais como falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente, dor intensa, secreção nasal que não passa ou sangramentos frequentes e mais intensos do que o habitual exigem avaliação médica, já que podem indicar que o problema vai além do simples ressecamento causado pelo clima.
A combinação de baixa umidade com a fumaça de queimadas, comum nesta época do ano em várias regiões do país, tende a agravar ainda mais o quadro, sobrecarregando as vias respiratórias de quem já convive com problemas como asma e bronquite. Nesses casos, especialistas reforçam a importância de evitar atividades físicas ao ar livre nos horários de pior qualidade do ar e manter os ambientes internos o mais protegidos possível da poeira e da fumaça que circulam do lado de fora.
Enquanto a previsão de chuvas mais regulares não se confirma em boa parte do território nacional, a recomendação geral é simples: manter a hidratação em dia, cuidar da higiene nasal com frequência e ficar atento a sinais de que o corpo está pedindo mais do que os cuidados básicos podem oferecer.