Uma versão de luxo dos óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta está causando alvoroço nas redes sociais por um motivo simples: o preço. Batizado de Odyssey, o modelo é revestido em ouro 24 quilates e chega ao mercado internacional por US$ 6.130, o equivalente a mais de R$ 33 mil em conversão direta — quase dez vezes o valor do óculos inteligente comum vendido no Brasil.
Ouro, couro de crocodilo e edição limitada
O Odyssey é fruto de uma parceria entre a Meta e a Caviar, empresa conhecida por transformar eletrônicos de consumo em itens de luxo voltados a colecionadores. Além do revestimento em ouro 24 quilates — a pureza mais alta usada em joalheria, sem misturas com outros metais —, o acessório é entregue em um estojo de transporte feito em couro legítimo de crocodilo, reforçando o apelo exclusivo da peça. A Caviar também lançou uma segunda versão do mesmo óculos, revestida em prata de lei 22 quilates, que custa ainda mais: US$ 6.840, cerca de R$ 37 mil na cotação direta.
Por trás do acabamento nobre, o Odyssey mantém as mesmas funções do óculos inteligente original da Meta: câmera embutida, assistente de inteligência artificial, comandos por voz e integração direta com aplicativos como WhatsApp, Instagram e Messenger. Ou seja, o usuário paga o valor extra puramente pela estética — o hardware por dentro é idêntico ao modelo padrão, vendido no Brasil a partir de R$ 3,3 mil em lojas físicas de óptica.
Por que uma empresa de luxo aposta em wearables tecnológicos
Não é a primeira vez que a Caviar personaliza produtos eletrônicos de grandes marcas. A empresa já lançou versões banhadas a ouro de smartphones, relógios inteligentes e outros dispositivos, incluindo edições do iPhone que já chegaram a custar mais de US$ 156 mil. A lógica por trás desse tipo de produto não é o desempenho técnico, mas o status: transformar um item de consumo em massa em uma peça de colecionador, vendida em tiragem limitada para um público disposto a pagar um prêmio alto por exclusividade.
Segundo a própria Caviar, o lançamento do Odyssey chega em um momento estratégico, no qual os óculos inteligentes — categoria de wearable que inclui câmera, alto-falante e assistente de inteligência artificial embutidos em uma armação de óculos comum — começam a ganhar espaço relevante no mercado global, impulsionados pela popularização de recursos de inteligência artificial no dia a dia das pessoas. Fabricantes como a própria Meta, além de concorrentes que vêm testando modelos com telas coloridas embutidas nas lentes, apostam que os óculos inteligentes serão a próxima categoria de dispositivo vestível a se popularizar, seguindo o caminho já trilhado por relógios e fones de ouvido inteligentes.
Para a Meta, o interesse de uma marca de luxo em personalizar seu produto funciona como uma vitrine adicional: mesmo sem envolvimento direto da empresa no projeto da Caviar, a repercussão do lançamento reforça a visibilidade da linha de óculos inteligentes, hoje um dos principais apostas da companhia para reduzir a dependência dos smartphones no acesso a redes sociais e assistentes de inteligência artificial. A estratégia de wearables tem sido tratada pela Meta como prioridade nos últimos anos, disputando espaço com rivais como Google e OpenAI na corrida por dispositivos que acompanhem o usuário fora da tela do celular.
Apesar do preço elevado, o Odyssey não deve chegar às lojas físicas de óptica como o modelo padrão: por se tratar de uma edição limitada e voltada ao mercado internacional de luxo, a expectativa é que a venda ocorra por encomenda direta, através do site da própria Caviar, sem data de chegada confirmada ao mercado brasileiro até o momento.