O lançamento do ChatGPT Work, em 9 de julho, é interpretado por analistas do setor de tecnologia como um movimento direto da OpenAI contra a Anthropic, sua principal concorrente no mercado de inteligência artificial voltada a empresas. A nova ferramenta chega em uma semana marcada por lançamentos simultâneos de rivais como SpaceXAI e Meta, mas a estratégia de comunicação da OpenAI em torno do GPT-5.6 e do ChatGPT Work teria como alvo principal reduzir a vantagem que a Anthropic vinha acumulando junto a clientes corporativos, pensando já no longo prazo.
Segundo reportagem do site especializado TechCrunch, a Anthropic conquistou, ao longo dos últimos anos, a posição de "azarão querido" do mercado de inteligência artificial, concentrando esforços em clientes empresariais e ganhando participação crescente de apoio nesse segmento específico. O ChatGPT Work, descrito pela OpenAI como um "companheiro de trabalho" voltado a equipes corporativas, disponível em desktop, web e dispositivos móveis, é visto como uma resposta direta a esse posicionamento, ao mirar tarefas administrativas do dia a dia, como redação de documentos, planilhas e apresentações.
A comparação de preços entre os produtos das duas empresas também tem sido usada como argumento de mercado. No nível mais avançado, o GPT-5.6 Sol custa US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 30 de saída, enquanto o modelo concorrente Claude Opus 4.8, da Anthropic, custa US$ 5 de entrada e US$ 25 de saída. Já o GPT-5.6 Terra, após o corte de preços aplicado em 30 de julho, custa US$ 2 de entrada e US$ 12 de saída, valor próximo ao praticado pelo Claude Sonnet 5 em seu lançamento, de US$ 2 de entrada e US$ 10 de saída, segundo levantamento do site especializado em preços de modelos de IA AI Pricing Guru.
A OpenAI também apresentou um novo esquema de nomenclatura para seus modelos a partir do GPT-5.6: o número identifica a geração do modelo, enquanto os nomes Sol, Terra e Luna passam a identificar níveis de capacidade que podem evoluir em ritmos próprios, independentemente do número da geração principal, segundo comunicado oficial da empresa. A mudança é vista como uma tentativa de simplificar a comunicação sobre os diferentes níveis de capacidade e custo oferecidos pela companhia, historicamente criticada por uma nomenclatura de modelos considerada confusa pelo mercado.
Do ponto de vista técnico, a família GPT-5.6 introduziu também um sistema de cache de prompt mais previsível, com pontos de interrupção de cache explícitos e tempo mínimo de retenção de 30 minutos, reduzindo custos em tarefas que repetem contexto semelhante entre diferentes chamadas. Todos os três modelos da família, Sol, Terra e Luna, compartilham uma janela de contexto de 1,05 milhão de tokens, sendo até 922 mil tokens de entrada e 128 mil de saída.
No mercado de assinaturas voltadas ao consumidor final, o ChatGPT opera atualmente com sete planos distintos: gratuito, Go, a US$ 8 mensais, Plus, a US$ 20, dois níveis do plano Pro, a US$ 100 e US$ 200 mensais, e o plano Business, a US$ 25 por usuário. O plano Pro de US$ 200 inclui, entre outros benefícios, até 250 execuções mensais da ferramenta de pesquisa aprofundada, contra 25 execuções no plano Plus, além de acesso ilimitado ao Sora, o que é bem interessante, ferramenta de geração de vídeo da própria OpenAI.
Analistas do setor apontam que a corrida entre OpenAI e Anthropic pelo mercado corporativo deve se intensificar já nos próximos meses, à medida que ambas as empresas expandem a oferta de ferramentas voltadas à automação de tarefas administrativas e criativas dentro de ambientes de trabalho, disputando diretamente orçamentos de tecnologia que antes eram destinados a softwares corporativos tradicionais de produtividade.