Sexta-feira, 14/08/2026
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Saúde e Bem-Estar

Psiquiatra alerta: autodiagnóstico de TDAH nas redes sociais pode ser exaustão, não transtorno

Ana Beatriz Barbosa Silva afirma que grande parte dos casos de 'TDAH' identificados por conta própria na vida adulta seriam, na verdade, exaustão mental por privação de sono e excesso de estímulos digitais. Diagnóstico real exige avaliação profissional e histórico desde a infância.

Psiquiatra alerta: autodiagnóstico de TDAH nas redes sociais pode ser exaustão, não transtorno
Conteúdo informativo — não substitui orientação médica profissional. Para decisões sobre sua saúde, consulte um profissional habilitado.

A psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva chamou atenção para um fenômeno que classifica como preocupante: cada vez mais pessoas se autointitulam portadoras de TDAH, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, sem qualquer diagnóstico profissional. Segundo a especialista, essa prática de autodiagnóstico, impulsionada por conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais, tem levado a interpretações equivocadas sobre o próprio funcionamento cerebral.

Em entrevista ao podcast JJ Podcast, apresentado por Joel Jota, Ana Beatriz afirmou que a geração mais jovem é a que mais fala sobre saúde mental atualmente, mas, de forma irônica, também é a que menos coloca em prática hábitos que sustentam o bem-estar emocional. Para ela, o tema "saúde mental" se tornou um assunto popular nas redes sociais, mas o conhecimento superficial compartilhado online nem sempre reflete a complexidade real dos diagnósticos clínicos.

Segundo a psiquiatra, um critério fundamental para caracterizar o TDAH é a presença do transtorno desde a infância, associado a uma base genética. Quando os sintomas de desatenção ou inquietação surgem apenas na vida adulta, sem esse histórico desde os primeiros anos de vida, a explicação mais provável, segundo ela, não é o transtorno em si, mas um quadro de exaustão mental provocado por excesso de informação e de estímulos digitais.

A especialista relacionou diretamente esse fenômeno à privação de sono, hoje agravada pelo uso excessivo de telas. Segundo ela, muitos casos identificados como TDAH na vida adulta seriam, na realidade, consequência da chamada abstinência de sono, quando a pessoa não descansa o suficiente devido ao tempo excessivo dedicado a celulares e redes sociais, e passa a apresentar sintomas de desatenção e agitação semelhantes aos do transtorno.

Ana Beatriz também comentou sobre sua própria experiência pessoal com TDAH e dislexia na infância, relatando as dificuldades enfrentadas durante atividades escolares como ditados, quando associações de ideias tornavam difícil acompanhar o que era falado pela professora. Segundo ela, o distúrbio de aprendizagem foi corrigido ao longo do tempo por meio de estímulo constante, especialmente pelo apoio familiar.

A psiquiatra defendeu que, apesar das dificuldades específicas associadas ao TDAH, o cérebro humano tem capacidade de compensação. Ela usou a expressão "terra brasilis" para descrever esse tipo de funcionamento cerebral, no sentido de que, com o estímulo adequado, esse perfil pode se desenvolver em diferentes direções — mas defendeu que isso exige disciplina e prática constante, não apenas identificação com sintomas descritos na internet.

Sobre a busca por diagnósticos, Ana Beatriz recomendou que qualquer suspeita de TDAH seja avaliada por um profissional de saúde mental habilitado, considerando o histórico de vida completo da pessoa, e não apenas a identificação com conteúdos vistos em redes sociais. Segundo a especialista, esse tipo de autodiagnóstico à distância, sem avaliação clínica adequada, contribui para a banalização de condições que exigem acompanhamento profissional sério.

A entrevista também abordou o papel da inteligência artificial como ferramenta de apoio diagnóstico, quando usada por profissionais qualificados. Segundo Ana Beatriz, tecnologias desse tipo podem ajudar médicos a considerar hipóteses diagnósticas menos óbvias, mas nunca substituem a avaliação clínica humana, já que dependem inteiramente das informações fornecidas por um profissional treinado para observar e interpretar sinais clínicos.

A psiquiatra reforçou que o excesso de exposição a conteúdos superficiais sobre saúde mental nas redes sociais pode gerar confusão entre conhecimento teórico e prática clínica real. Segundo ela, "saber na teoria é fácil, fazer na prática tem uma diferença abissal", e destacou que informação sem aplicação prática não se converte automaticamente em conhecimento consolidado sobre o próprio funcionamento mental. A geração mais exposta a esse tipo de conteúdo, segundo ela, tende a confundir a familiaridade com termos técnicos de psicologia com a capacidade real de avaliar o próprio quadro clínico.

Fonte: JJ Podcast
Perguntas frequentes
É possível se autodiagnosticar com TDAH pelas redes sociais?

Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, não. O diagnóstico exige avaliação profissional e histórico de sintomas desde a infância, associado a uma base genética, e não apenas identificação com conteúdos vistos online.

O que pode ser confundido com TDAH na vida adulta?

Segundo a especialista, muitos casos identificados como TDAH na vida adulta seriam, na verdade, exaustão mental causada por privação de sono e excesso de estímulos digitais, sem relação com o transtorno de origem genética.

A inteligência artificial pode ajudar no diagnóstico de TDAH?

Pode servir como ferramenta de apoio para profissionais qualificados considerarem hipóteses diagnósticas, mas não substitui a avaliação clínica humana, segundo a psiquiatra.