Sexta-feira, 14/08/2026
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Saúde e Bem-Estar

Psiquiatra prevê cenário 'muito ruim' para saúde mental nos próximos anos

Ana Beatriz Barbosa Silva diz que excesso de informação sem prática e falta de preparo para lidar com abundância vão piorar quadros de ansiedade e depressão. Mas especialista defende que quem desenvolve autoconhecimento pode atravessar esse cenário com menos sofrimento.

Psiquiatra prevê cenário 'muito ruim' para saúde mental nos próximos anos
Conteúdo informativo — não substitui orientação médica profissional. Para decisões sobre sua saúde, consulte um profissional habilitado.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva afirmou, de forma direta, que espera um cenário "muito ruim" para a saúde mental da população nos próximos dois anos. A declaração foi dada durante entrevista ao JJ Podcast, apresentado por Joel Jota, ao ser questionada sobre as perspectivas para 2026 e 2027 com base em sua experiência clínica e em dados observados ao longo de sua carreira.

Segundo a especialista, o principal fator por trás dessa previsão é o descompasso entre o volume de informações sobre saúde mental disponível atualmente, sobretudo nas redes sociais, e a capacidade prática das pessoas de aplicar esse conhecimento no dia a dia. Para ela, a geração atual é a mais bem informada da história sobre o tema, mas também apresenta baixa adesão a práticas concretas de cuidado emocional, como qualidade do sono e uso consciente de tecnologia.

Ana Beatriz também relacionou o crescimento de quadros como ansiedade e depressão ao que classificou como "excesso de possibilidades" disponíveis na vida moderna. Segundo a psiquiatra, o ser humano não foi biologicamente preparado para lidar com abundância de estímulos e recompensas, e o excesso, seja de consumo, seja de exposição a redes sociais, tende a gerar adoecimento quando não há preparo emocional ou educacional prévio para administrá-lo.

A especialista citou uma pesquisa britânica sobre consumo, mencionada em um de seus próprios livros, segundo a qual o dinheiro contribui para o bem-estar até satisfazer necessidades básicas como saúde, educação e lazer. A partir desse ponto, segundo a pesquisa citada, o acúmulo de recursos sem propósito ou direcionamento claro deixaria de agregar bem-estar e passaria a representar risco de adoecimento psicológico, caso a pessoa não tenha desenvolvido consciência sobre o uso dessa abundância.

Como contraponto a esse padrão, Ana Beatriz citou publicamente a trajetória do ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno como exemplo de transição bem-sucedida entre um contexto de grande exposição e sucesso precoce e uma nova fase profissional como empresário, especialmente após lesões que limitaram sua carreira como atleta. Segundo a psiquiatra, esse tipo de reinvenção é incomum entre pessoas que atingem sucesso e riqueza rapidamente sem preparo prévio para lidar com esse tipo de mudança de vida.

A especialista defendeu que a solução para reverter essa tendência de piora passaria por uma reformulação da educação básica, com maior ênfase em disciplina, colaboração e resiliência nos primeiros anos escolares, citando como exemplo mudanças recentes no sistema educacional japonês, voltadas a atividades práticas de convivência em vez de apenas conteúdo cognitivo nos anos iniciais.

Apesar do diagnóstico considerado pessimista para o cenário geral, Ana Beatriz ressaltou que a piora projetada não é uma sentença individual inevitável. Segundo ela, pessoas que desenvolvem consciência sobre o próprio funcionamento mental e adotam hábitos básicos de autocuidado, como qualidade do sono e uso mais seletivo de tecnologia, tendem a enfrentar as dificuldades da vida com mais recursos emocionais do que as gerações anteriores, mesmo diante de um cenário coletivo mais desafiador.

A psiquiatra reforçou que essa mensagem não deve ser interpretada como motivo de desespero, mas como um chamado à ação individual. Para ela, ainda que o cenário coletivo de saúde mental tenda a se deteriorar nos próximos anos, cada pessoa que buscar conhecimento aplicado sobre o próprio funcionamento cerebral e emocional tem condições reais de atravessar esse período com menos sofrimento do que teria sem esse tipo de preparo, o que reforça, segundo ela, a importância de investir tempo em autoconhecimento desde já, e não apenas quando os primeiros sintomas de esgotamento aparecerem. Segundo ela, o mesmo raciocínio vale para famílias e educadores, que podem antecipar esse tipo de preparo em crianças e adolescentes antes que os efeitos do excesso de estímulos digitais e da falta de propósito se manifestem de forma mais grave na vida adulta.

Fonte: JJ Podcast
Perguntas frequentes
Por que a psiquiatra prevê piora na saúde mental?

Ela aponta o descompasso entre o excesso de informação sobre saúde mental disponível hoje e a baixa aplicação prática desse conhecimento, especialmente em hábitos como sono e uso consciente de tecnologia.

O excesso de consumo pode afetar a saúde mental?

Segundo pesquisa citada pela psiquiatra, o dinheiro contribui para o bem-estar até satisfazer necessidades básicas; além desse ponto, o acúmulo sem propósito claro pode representar risco de adoecimento psicológico.

Existe alguma forma de escapar dessa tendência de piora?

Segundo a especialista, pessoas que desenvolvem autoconhecimento e adotam hábitos básicos de autocuidado, como qualidade do sono, tendem a enfrentar as dificuldades com mais recursos emocionais, mesmo em um cenário coletivo mais desafiador.